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Economia

Juros médios para famílias alcançam 60,1% ao ano em 2025

Aumento é impulsionado pela maior participação do crédito rotativo do cartão, que possui taxas mais elevadas.

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Juros médios para famílias alcançam 60,1% ao ano em 2025
© Marcello Casal JrAgência Brasil
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As taxas de juros médias cobradas de famílias brasileiras apresentaram um acréscimo de 7 pontos percentuais em 2025, chegando a 60,1% anuais em dezembro. Essa elevação, conforme divulgado pelo Banco Central (BC) em suas Estatísticas Monetárias e de Crédito nesta quinta-feira (29), deve-se principalmente à expansão da carteira de crédito rotativo do cartão, cujas operações registram juros significativamente maiores que a média geral.

Apesar de uma redução de 13,6 pontos percentuais ao longo do ano, a taxa média do crédito rotativo atingiu expressivos 438% ao ano. Mesmo com a regulamentação que limitou a cobrança de juros do rotativo, vigente desde janeiro de 2024, as taxas continuam a variar. A medida visa mitigar o endividamento, mas não altera os termos pactuados no momento da contratação do crédito.

O crédito rotativo é uma modalidade de curto prazo, com duração de 30 dias, utilizada quando o consumidor não quita o valor total da fatura do cartão, optando, por exemplo, pelo pagamento mínimo. Isso resulta na contratação de um empréstimo sobre o saldo remanescente, incidindo juros sobre o montante não pago.

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Após o período de 30 dias, as instituições financeiras costumam oferecer o parcelamento da dívida do cartão de crédito, modalidade conhecida como cartão parcelado. Neste cenário, o aumento dos juros também foi notável em 2025, com uma elevação de 17,9 pontos percentuais, elevando a taxa para 189% ao ano.

Outro ponto de destaque foi o crescimento de 13,4 pontos percentuais nas concessões de crédito pessoal não consignado, que passaram a operar a 116,8% anuais.

No que se refere às operações destinadas a empresas, a taxa de juros média encerrou 2025 em 25% ao ano, um aumento de 3,3 pontos percentuais no período. Destaques incluem os acréscimos de 30,6 pontos percentuais no capital de giro com prazo de até 365 dias, alcançando 50,3% ao ano, e de 24,7 pontos percentuais no cheque especial, que chegou a 355,7% ao ano.

As taxas mencionadas referem-se ao crédito livre, onde as instituições financeiras possuem autonomia para definir os juros cobrados de seus clientes com base no dinheiro captado no mercado. Já o crédito direcionado, cujas regras são estabelecidas pelo governo, é prioritariamente destinado aos setores habitacional, rural, de infraestrutura e ao microcrédito.

Para o crédito direcionado, a taxa para pessoas físicas registrou 11,2% ao ano no final de 2025, com uma elevação de 1 ponto percentual no ano. Para as empresas, a taxa permaneceu estável em 12,2% ao ano.

Juros em alta

Considerando conjuntamente os recursos livres e direcionados, tanto para famílias quanto para empresas, a taxa média de juros nas concessões de crédito atingiu 32,4% ao ano em dezembro de 2025, um incremento de 3,9 pontos percentuais.

Como era de se esperar, a elevação das taxas de juros bancários acompanha o ciclo de aumento da taxa básica de juros da economia, a Selic, que foi fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC. A Selic é o principal instrumento utilizado pelo Banco Central para o controle da inflação.

Ao elevar a taxa Selic, o BC busca desacelerar a demanda e conter a inflação. Juros mais altos encarecem o crédito e incentivam a poupança, o que leva a uma redução no consumo e, consequentemente, a uma menor pressão sobre os preços. A taxa básica de juros encontra-se no seu patamar mais elevado desde julho de 2006, quando foi registrada em 15,25% ao ano.

O spread bancário, que representa a diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e as taxas médias cobradas dos clientes, situou-se em 21,4 pontos percentuais, com um acréscimo de 3,9 pontos percentuais em 2025, após uma redução de 1,9 ponto percentual em 2024. Essa margem cobre custos operacionais, riscos de inadimplência, impostos e outras despesas, resultando no lucro das instituições financeiras.

Desaceleração no saldo

Em 2025, o volume de concessões de crédito totalizou R$ 786,4 bilhões, um aumento de 9,1% no ano. Este resultado indica uma desaceleração em comparação com 2024, quando o crescimento foi de 15,5%.

O estoque total de empréstimos concedidos pelos bancos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) alcançou R$ 7,122 trilhões, representando um crescimento de 10,2% em 2025. Essa expansão também desacelerou em relação a 2024, quando o avanço foi de 11,5%. A moderação na expansão do crédito em 2025 ocorreu tanto no segmento de empresas (8,1% em 2025, contra 9,9% em 2024) quanto no destinado a pessoas físicas (11,6% ante 12,6% nos mesmos períodos comparativos).

As carteiras de crédito para empresas e famílias encerraram 2024 com saldos de R$ 2,699 trilhões e R$ 4,423 trilhões, respectivamente.

O crédito ampliado ao setor não financeiro, que engloba o crédito disponível para empresas, famílias e governos de diversas fontes (bancária, mercado de títulos ou dívida externa), atingiu R$ 20,790 trilhões. Esse valor reflete um aumento de 11,4% no mês, impulsionado por avanços de 19,1% nos títulos públicos de dívida e de 10% nos empréstimos do SFN.

Endividamento das famílias

De acordo com o Banco Central, a taxa de inadimplência, caracterizada por atrasos superiores a 90 dias, foi de 4,1% em dezembro, com uma elevação de 1,1 ponto percentual em relação ao final de 2024. No segmento empresarial, o percentual de inadimplência situou-se em 2,5%, após uma alta de 0,5 ponto percentual no ano. No crédito concedido às famílias, a inadimplência registrou um aumento de 1,5 ponto percentual no ano, totalizando 5%.

O endividamento das famílias, calculado como a relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses, atingiu 49,8% em novembro. Este índice apresentou um aumento de 0,5 ponto percentual no mês e de 1,5 ponto percentual em 12 meses. Excluindo o financiamento imobiliário, que representa uma parcela significativa da renda, o endividamento ficou em 31,3% no penúltimo mês do ano.

O comprometimento da renda, que mede a relação entre o valor médio destinado ao pagamento das dívidas e a renda média apurada no período, ficou em 29,3% em novembro. Houve estabilidade na comparação mensal e um aumento de 2,2 pontos percentuais em 12 meses.

Os indicadores de endividamento e comprometimento de renda são divulgados com uma defasagem temporal maior, pois o Banco Central utiliza dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

FONTE/CRÉDITOS: Andreia Verdélio – Repórter da Agência Brasil

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