O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente reconhecido como a “inflação do aluguel”, iniciou o ano de 2024 com um avanço de 0,41%. Este desempenho marca um retorno ao patamar positivo, após registrar uma leve retração de 0,01% no mês anterior, dezembro.
Contudo, ao analisar o período acumulado de 12 meses, o índice demonstra um declínio de 0,91%, consolidando o terceiro mês consecutivo de queda em sua variação anual. Para efeito de comparação, em janeiro de 2023, o IGP-M havia registrado uma elevação de 0,27%, com o acumulado anual atingindo 6,75%.
As informações foram divulgadas nesta quinta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), que integra a Fundação Getulio Vargas (FGV), sediada no Rio de Janeiro.
O IGP-M recebe a alcunha de inflação do aluguel devido à sua frequente utilização como parâmetro para o reajuste anual de contratos de locação de imóveis. Adicionalmente, este indexador serve como base para atualizar certas tarifas de serviços públicos e essenciais.
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Componentes do índice
Para determinar o IGP-M, os especialistas consideram três elementos principais. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) é o que possui maior influência, correspondendo a 60% do cálculo total do IGP-M e refletindo a variação de preços no setor produtivo.
No mês de janeiro, o IPA registrou uma elevação de 0,34%, impulsionado sobretudo pelos aumentos observados no minério de ferro (4,47%), na carne bovina (1,37%) e no tomate (29,5%).
O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) figura como outro pilar do IGP-M, representando 30% de sua composição. Em janeiro, o IPC avançou 0,51%. Os fatores que mais impactaram o orçamento doméstico foram os reajustes em cursos de ensino fundamental (3,83%), cursos de ensino superior (3,13%) e o preço da gasolina (1,02%).
Por fim, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), o terceiro elemento calculado pela FGV, apresentou uma variação de 0,63% no período. Detalhadamente, os custos com materiais, equipamentos e serviços aumentaram 0,34%, enquanto a mão de obra teve um acréscimo de 1,03%.
O que esperar dos aluguéis?
Embora seja popularmente associado à inflação dos aluguéis, um IGP-M acumulado em terreno negativo não garante automaticamente a redução nos valores de locação. Essa particularidade deve-se à inclusão, em diversos contratos, da cláusula “reajuste conforme variação positiva do IGP-M”, o que, na prática, limita os ajustes apenas aos cenários de alta do índice.
Para apurar o IGP-M mensal, a FGV realiza a coleta de preços em diversas capitais brasileiras, incluindo Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O levantamento para o período em questão ocorreu de 21 de dezembro de 2023 a 20 de janeiro de 2024.

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