O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF/Ebserh) comemora a realização do primeiro transplante renal na instituição, após a reativação do programa. A paciente receptora do órgão é Franscieny Calixto, de 42 anos, que recebeu o rim de um doador vivo, o irmão, Franklin Calixto. A cirurgia aconteceu no dia 20/11 e mobilizou todo o hospital.
Segundo a professora e médica nefrologista responsável pelo Serviço de Transplante Renal do HU-UFJF/Ebserh, Hélady Sanders, o resultado é ótimo, considerando essa primeira etapa, envolvendo a internação e o transplante. Os pacientes saíram muito bem, sem intercorrências, afirma.
“Consideramos que é um grande resultado, por ser um procedimento complexo, classificado, inclusive, como de alta complexidade pelo SUS, e requer que todo o hospital funcione direcionado a ele. Então, para nós, é um grande resultado, porque mostra que o hospital é capaz de se organizar operacionalmente para esse tipo de procedimento”, ressalta a médica.
Outro resultado positivo, segundo Hélady, é que o Hospital Universitário poderá contribuir para um procedimento de grande demanda, cujos serviços de saúde na região e no país não conseguem atender. “Menos de 40% dos pacientes aguardando na fila são transplantados no Brasil. Então existe uma necessidade social de mais opções de acesso ao tratamento. Além disso, somos um hospital de ensino, nossa principal missão é formar pessoas. Tendo esse tipo de procedimento, que envolve um número grande de profissionais e de formação, é um campo de conhecimento valiosíssimo. Além disso, o serviço de transplante renal é requisito obrigatório para as residências de urologia e nefrologia”, assegura.
O HU-UFJF/Ebserh está credenciado desde 2014 para a realização de transplante, captação de órgãos e acompanhamento pós-transplante. No final de 2019, o serviço estava todo estruturado com as condições para os procedimentos de transplantes, mas a pandemia adiou o processo, que começou, efetivamente, com o transplante realizado entre os dois irmãos no dia 20/11. O doador recebeu alta no 3º dia e, o receptor, no 6º dia do pós-operatório. Ambos seguem em acompanhamento na instituição, visto que, para a pessoa ter o benefício do transplante, é necessário tempo.
O superintendente do Hospital Universitário, Dimas Araújo, afirma que “a realização do transplante renal veio coroar o brilhante trabalho de uma equipe extremamente qualificada, que nos últimos anos se dedicou e se empenhou de forma importante para que este procedimento ocorresse. Assim, o HU-UFJF dá mais um passo importante para o oferecimento de uma saúde de qualidade para os usuários do SUS e se fortalece como um hospital de ensino, contribuindo para melhor formação de seus alunos e residentes, também abrindo espaços para a produção do conhecimento. A gestão do HU-UFJF/Ebserh não mediu esforços para a realização deste grande feito”.
Procedimento emociona paciente e profissionais envolvidos
A receptora do rim, Franscieny Calixto, descobriu a doença renal num exame de rotina em novembro do ano passado. Fez diálise peritoneal por cinco meses no HU. Após diagnóstico da doença renal em último estágio, ela e os dois irmãos começaram a realização dos exames de compatibilidade. Ambos eram compatíveis e um deles, irmão gêmeo, foi selecionado como doador. “A equipe do HU sempre nos deixou muito seguros. Tem aquela ansiedade, por ser uma cirurgia muito grande. Mas sempre tivemos muita confiança em tudo. A cirurgia foi muito tranquila, e tanto eu quanto meu irmão estamos muito bem. Agora é vida nova, e desejo que os profissionais do HU continuem fazendo esse trabalho para muitos outros doentes renais como eu. A tranquilidade e o respeito que tiveram comigo e minha família foram maravilhosos”, relata.
O médico Salim Khouri, coordenador cirúrgico do Serviço de Transplante Renal do HU-UFJF, disse que a realização do transplante renal no HU foi muito marcante em sua carreira profissional. “Significa a retomada do serviço de transplante renal da instituição e a inserção do nosso hospital no patamar de instituições que realizam procedimentos cirúrgicos de alta complexidade. O serviço de transplante em atuação vai abrir portas para novos ensinamentos, projetos de pesquisa e extensão, além de ser um somatório no aprendizado para as residências médicas do HU na área de urologia e nefrologia”, assegura.
Pessoalmente, foi também uma conquista inesquecível, pontua Salim: “Estudei muitos anos para chegar este dia: me graduei como médico e urologista na UFJF e fiz residência médica em transplante renal. Gostaria de deixar meu agradecimento a todos que participaram e estão participando desse projeto, assim poderemos ajudar ainda mais famílias, retirando muitos pacientes das filas de diálise e ofertando uma melhor qualidade de vida para nossos pacientes”.
A cirurgia teve suporte técnico do cirurgião Wilson Aguiar, chefe da Equipe Cirúrgica do Hospital do Rim e Hipertensão da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para Igor Andrade, chefe da Unidade de Hematologia, Hemoterapia e Oncologia (onde os pacientes ficaram internados), houve muita entrega de ambas as partes para o sucesso do procedimento. “O novo sempre assusta. Por mais que houvesse muito conhecimento e capacidade da equipe médica e do transplante de medula, os alinhamentos constantes e diversos encontros foram fundamentais para transcorrer tudo bem. Parabenizo a todos por todo o envolvimento e dedicação", enfatiza.
Também foram fundamentais o envolvimento e trabalho do Centro Cirúrgico e da equipe de enfermagem do hospital. Francismeire Siqueira, chefe da Unidade de Bloco Cirúrgico, diz estar feliz por essa vitória: “Para nós, equipe multiprofissional, é um prazer, sensação de dever cumprido em nome da sociedade, orgulho por concretizar grandes feitos através do SUS. E, para os pacientes a serem atendidos, tenho certeza que o sentimento é inexplicável. É um sopro de vida que renasce. Foi importante para minha vida profissional participar ativamente de todo esse processo, desde a construção da capacidade técnica até o dia do transplante. No entanto, acompanhar presencialmente o primeiro procedimento cirúrgico de transplante renal no HU-UFJF/Ebserh me emociona”.
A técnica de enfermagem Polyana Lomar compartilha esse sentimento de alegria dos profissionais do Centro Cirúrgico. “Estarmos presentes contribuindo no primeiro transplante renal do HU nos traz uma sensação de dever cumprido, de levar esperança aos portadores de insuficiência renal crônica, dando-lhes melhor qualidade de vida. O processo de doação é muito complexo, dinâmico e requer muito cuidado. A enfermagem tem um papel muito expressivo nesse processo, todos nós da equipe nos empenhamos em estudos e capacitações para oferecer o melhor para nossos pacientes, com muito cuidado e respeito”, finaliza.
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