Após semanas de deliberações, o governo federal divulgou nesta segunda-feira (6) um extenso pacote de iniciativas destinadas a atenuar os efeitos da elevação dos preços dos combustíveis, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio.
As providências englobam a publicação de uma medida provisória (MP), a apresentação de um projeto de lei e a assinatura de diversos decretos pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Este conjunto de ações visa conceder subsídios para o diesel e o gás de cozinha, além de promover a redução de encargos fiscais e oferecer apoio ao setor de aviação. A expectativa é proporcionar alívio nos custos para consumidores e segmentos produtivos, ao mesmo tempo em que se busca assegurar o abastecimento energético nacional.
Subsídios detalhados
Entre as estratégias centrais, destaca-se a implementação de uma subvenção de R$ 1,20 por litro para a importação de diesel, com os custos divididos igualmente entre a União e os estados.
Este benefício terá validade inicial de dois meses e poderá totalizar até R$ 4 bilhões, superando a estimativa inicial do Ministério da Fazenda, que previa um custo de R$ 3 bilhões.
Foi também anunciada uma subvenção adicional de R$ 0,80 por litro para o diesel produzido em território nacional, com um custo mensal estimado em R$ 3 bilhões. Em ambos os casos, as empresas beneficiadas terão a obrigação de repassar a redução diretamente ao consumidor final.
Adicionalmente, o Executivo federal zerará os impostos incidentes sobre o biodiesel, componente do diesel comercializado nos postos, e sobre o querosene de aviação.
Para o gás liquefeito de petróleo (GLP), será concedido um subsídio de R$ 850 por tonelada para o produto importado. A finalidade dessa medida é igualar o preço ao GLP de produção nacional e diminuir o impacto no custo do gás de cozinha, beneficiando especialmente as famílias de menor poder aquisitivo.
Fontes de compensação
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, detalhou as fontes de receita que compensarão os gastos com as novas medidas: o Imposto de Exportação de 12% sobre o petróleo, instituído em março; o aumento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) para empresas do setor petrolífero; e os recursos provenientes de leilões de petróleo.
No que tange à compensação pela isenção do querosene de aviação e do biodiesel, Durigan informou sobre a elevação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre cigarros. Segundo o ministro, essa medida deverá gerar R$ 1,2 bilhão em arrecadação extra para o governo em 2026.
Apoio ao setor aéreo
O pacote governamental também contempla a disponibilização de até R$ 9 bilhões em linhas de crédito para as companhias aéreas, com recursos gerenciados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pelo Fundo Nacional de Aviação Civil.
Outras ações incluem a isenção do Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre o querosene de aviação, além do adiamento do pagamento de taxas de navegação aérea.
Conforme explicado pelo ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, os subsídios e as isenções serão equilibrados pelo incremento nas receitas de royalties do petróleo, que registraram alta desde o início do conflito no Oriente Médio.
Medidas de fiscalização e punição
O governo também anunciou um reforço na supervisão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para coibir práticas de aumentos abusivos de preços em cenários de crise, como conflitos geopolíticos e calamidades públicas.
O projeto de lei, que será encaminhado ao Congresso em regime de urgência constitucional, prevê penas de 2 a 5 anos de reclusão para esse tipo de conduta.
De acordo com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, não apenas as pessoas jurídicas, mas também as pessoas físicas que violarem a Lei da Economia Popular serão responsabilizadas, incluindo os sócios dos estabelecimentos.
Além disso, a MP passará a autorizar a interdição de postos de combustíveis que elevarem os preços de forma injustificada. Anteriormente, tais estabelecimentos estavam sujeitos apenas a multas.
Silveira acrescentou que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) será obrigatoriamente notificado em casos de suspeita de violação da ordem econômica.
As penalidades pecuniárias, informou o ministro, serão agravadas proporcionalmente ao ganho indevido e à prática de usura pelo agente econômico.
Estabilização de preços
A medida provisória também estabelece que os agentes econômicos beneficiados pelas subvenções deverão implementar mecanismos para suavizar as flutuações internacionais de preços.
Segundo o Executivo, o objetivo primordial do pacote é minimizar os impactos da instabilidade global nos preços internos e reduzir a vulnerabilidade do Brasil às oscilações do mercado energético mundial.

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