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Sexta-feira, 15 de Maio 2026
Personalidades

Forte elemento da esquerda política, juiz-forano Lindolfo Hill ganha biografia

Livro sobre o militante e ex-vereador foi escrito pelo professor Alexandre Müller Hill Maestrini

Geraldo Gomes
Por Geraldo Gomes
Forte elemento da esquerda política, juiz-forano Lindolfo Hill ganha biografia
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Lindolfo Hill (1917-1977) era um conhecido "elemento comunista", esporadicamente procurado pela polícia, de Juiz de Fora, que foi eleito vereador da cidade para a legislatura de 1947-1950 pelo Partido Comunista do Brasil (PCB). O mandato seria cassado antes do término, após o Governo Eurico Gaspar Dutra determinar o encerramento das atividades do “Partidão”. 

O professor Alexandre Müller Hill Maestrini pretende resgatar a memória de Lindolfo Hill na obra Lindolfo Hill – Um outro olhar para a esquerda” (Instituto Caio Prado Jr., 250 páginas). A biografia será lançada em Juiz de Fora na próxima terça-feira (7), em transmissão ao vivo, às 18h. Segundo Alexandre, “ele é renegado em Juiz de Fora. Apesar de Lindolfo ter sido cassado, não tem muita homenagem a ele. Um dos meus objetivos é justamente resgatar a sua memória. Depois, vou pedir à Câmara que restitua o título de vereador, já que, no meu entender, foi injustamente cassado”. O professor é também sobrinho-neto de Lindolfo. 

As origens militantes

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A militância de Lindolfo começou ainda aos 17 anos, quando trabalhava na construtora Pantaleone Arcuri & Spinelli. “O pai de Lindolfo (Carlos José Hill) tinha uma empresa de construção, mas ele morreu quando o filho nasceu. Não consegui saber por que Lindolfo foi trabalhar na Pantaleone. Talvez tenha caído lá por acaso. Ele não conheceu o pai, mas seguiu a sua carreira”, pontua Alexandre. Lindolfo era conhecido entre os demais pedreiros justamente em razão da militância ativa. “Sempre conversava com os companheiros, gostava muito de ler, era informado etc. Lindolfo era uma liderança natural”, acrescenta. Ele, inclusive, presidiu o Sindicado dos Trabalhadores na Construção Civil de Juiz de Fora. O encontro com o comunismo viria nesta época, em 1934.

O PCB então se reorganizava em busca de afirmação diante da promulgação de nova Constituição e, posteriormente, da eleição de Getúlio Vargas. Na ocasião, o “Partidão” realizou, por exemplo, a I Conferência Nacional. A atuação de Lindolfo junto à categoria chamaria a atenção da legenda. A filiação ao PCB viria pelas mãos de Pedro Pomar (1913-1976) – Pomar seria assassinado na Chacina da Lapa, em 1976. “Qual foi a sacada do PCB? Juiz de Fora era uma das cidades mais industrializadas do Brasil nesta época. Havia várias indústrias de calçados e, depois, se instalou uma siderúrgica. A cidade era industrializada e bem perto do Rio de Janeiro”, explica o biógrafo. Lindolfo passou a fazer parte da célula comunista juiz-forana junto a outros como Luiz Zuddio.

Embora a militância comunista atuasse clandestinamente ao menos desde 1927, quando fora criminalizada depois de poucos meses de legalidade durante o Governo Washington Luís, a vida de Lindolfo era o PCB. “O Partidão tinha prioridade na vida dos militantes. Esta era a filosofia. Todos eram irmãos e dedicariam a vida ao partido. Pelo que os documentos mostram, o Lindolfo, assim como outros militantes, era profissional. As lideranças recebiam do PCB e trabalhavam o dia inteiro”, afirma Alexandre. Desde que entrara no Partidão, Lindolfo já não trabalhava mais como pedreiro. Os empregos eram de fachada onde quer que estivesse, fosse São Paulo ou Rio de Janeiro. Há relatos, conta Alexandre, de que Lindolfo trabalhou em uma tipografia e na própria construção civil. “Mas, nesta época, já estava ativo, fazia parte do Comitê Central e todos os custos eram bancados pelo Partidão.”

Ainda que o comunista tenha sido preso inúmeras vezes, diz Alexandre, não há documento que confirme que Lindolfo tenha sido torturado. Mas o biógrafo supõe que o militante tenha enfrentado duros interrogatórios. “Ninguém foi interrogado de boa. A maioria foi sob tortura. O Lindolfo tem vários depoimentos no Dops. Ele conta, inclusive, qual era o nome de combatente. Ele falou coisas que só pessoas sob tortura diriam.” Nos últimos anos de vida, Lindolfo não era mais ativo, ressalta Alexandre. “Ele morava no Méier, no Rio de Janeiro, e não recebia visitas. Era praticamente ele e Carmem. Ninguém mais dava bola para o Lindolfo.” O comunista morreu aos 60 anos, devido às complicações de um câncer de próstata. O próprio enterro de Lindolfo denunciaria a condição de anonimato da vida do militante. “A filha conta que no enterro havia apenas os familiares próximos. Ninguém foi homenageá-lo.” Lindolfo morreu com o PCB ainda na clandestinidade e dois anos antes da promulgação da Lei da Anistia, em 1979.

FONTE/CRÉDITOS: Tribuna de Minas
Geraldo Gomes

Publicado por:

Geraldo Gomes

Fundador, diretor e presidente do Portal de notícias RCWTV. Trabalhou na TVE, TV pública de Juiz de Fora, como diretor de imagem, e depois empreendeu no ramo de eventos evangélicos com a empresa Gospel Videos. Mais tarde fundou a RCWTV, inicialmente...

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