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Flamengo cai nos pênaltis diante do Estudiantes após atuação apática no Maracanã

Rubro-Negro teve um jogador a mais durante praticamente todo o segundo tempo, acumulou posse de bola, mas criou pouco, terminou novamente sem marcar e desperdiçou três cobranças na decisão

Hellander LizDae
Por Hellander LizDae
Flamengo cai nos pênaltis diante do Estudiantes após atuação apática no Maracanã
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O Flamengo está fora final da Copa Libertadores de 2026. Na noite desta quinta-feira (22), o Rubro-Negro voltou a empatar por 0 a 0 com o Estudiantes, desta vez diante de mais de 70 mil torcedores no Maracanã, e acabou eliminado por 3 a 2 nos pênaltis. A equipe argentina avançou para enfrentar o Palmeiras na decisão continental.

A eliminação ganhou contornos ainda mais frustrantes pela maneira como aconteceu. O Estudiantes teve Baltasar Rodríguez expulso logo aos quatro minutos do segundo tempo e atuou praticamente toda a etapa final com dez jogadores. Ainda assim, o Flamengo mostrou pouca criatividade, demorou a acelerar as jogadas e encontrou enorme dificuldade para transformar a ampla posse de bola em oportunidades reais.

Muita posse, poucos chutes e quase nenhuma agressividade

O Flamengo teve aproximadamente 75% de posse de bola, mas a superioridade territorial não se traduziu em volume ofensivo. Segundo análise publicada pelo ge, o time terminou o confronto com poucas chances claras e acertou apenas duas finalizações no gol, a mesma quantidade do Estudiantes. No jogo de ida, na Argentina, o Rubro-Negro sequer havia finalizado na direção da meta adversária.

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Mesmo depois da expulsão de Rodríguez, a postura pouco mudou durante vários minutos. O Flamengo circulava a bola de um lado para o outro, encontrava a defesa argentina posicionada e frequentemente reiniciava a jogada em vez de buscar uma finalização. A sensação no Maracanã era de um time com a bola, mas sem urgência para transformar a vantagem numérica em pressão efetiva.

A própria análise do ge apontou falta de criatividade e de urgência. A primeira alteração rubro-negra depois da expulsão só aconteceu aos 18 minutos, com a entrada de Arrascaeta. O time foi aberto de maneira mais agressiva apenas por volta dos 35 minutos, quando Bruno Henrique, Plata e Ayrton Lucas foram acionados. Foi justamente depois dessas mudanças que surgiram as melhores oportunidades.

Plata teve a chance mais perigosa aos 36 minutos, em cabeçada defendida por Fernando Muslera. Pouco depois, Paquetá também levou perigo em nova cabeçada. Foram momentos isolados em uma partida na qual o Flamengo passou longos períodos apenas trocando passes diante de um adversário retraído.

Estudiantes se fecha e Flamengo não encontra solução

Com um jogador a menos, o Estudiantes abandonou qualquer preocupação maior em atacar e concentrou suas forças na proteção da área. A estratégia era previsível, mas o Flamengo não conseguiu desmontá-la.

Leonardo Jardim reconheceu após a partida que a equipe teve dificuldade para criar presença dentro da área, apesar da enorme quantidade de posse. O treinador afirmou que o adversário passou a defender em bloco baixo e que o Flamengo não conseguiu gerar o número de oportunidades necessário.

O problema não esteve somente na falta de espaço. Houve pouca movimentação, poucas tentativas de média distância e uma insistência em passes laterais que favoreceu o plano argentino. Em determinados momentos, a postura rubro-negra transmitiu apatia: jogadores recebiam a bola próximos da área, mas preferiam procurar mais um passe em vez de arriscar a finalização.

Ao longo dos 180 minutos da semifinal, o Flamengo não marcou sequer um gol. Foi eliminado sem perder uma partida no tempo regulamentar, mas também sem conseguir impor sua superioridade técnica sobre um Estudiantes que executou melhor a estratégia escolhida para o confronto.

Muslera decide nos pênaltis

Se durante o jogo o Flamengo já demonstrava dificuldade para encontrar o gol, a disputa de pênaltis transformou a noite em pesadelo.

Fernando Muslera defendeu três cobranças rubro-negras. Jorginho, Lucas Paquetá e Bruno Henrique pararam no experiente goleiro uruguaio. Apenas Arrascaeta e Léo Pereira converteram para o Flamengo. Pelo Estudiantes, mesmo com Cetré desperdiçando uma cobrança, o aproveitamento foi suficiente para garantir a vitória por 3 a 2 e a classificação.

As três cobranças desperdiçadas também levantaram questionamentos sobre a preparação do Flamengo para uma possibilidade absolutamente previsível em uma semifinal equilibrada. Não há, até o momento, informação confiável que permita afirmar que o time não treinou pênaltis, mas a execução ruim de três jogadores experientes passou uma forte impressão de falta de preparação para aquele momento decisivo.

O caso de Jorginho chamou ainda mais atenção. Especialista no fundamento, o volante tentou sua tradicional cobrança observando o movimento do goleiro, mas Muslera conseguiu esperar e defender. Depois dele, Paquetá e Bruno Henrique também bateram mal e foram parados pelo uruguaio.

Eliminação expõe problemas que já apareceram na Argentina

O resultado no Maracanã não pode ser analisado isoladamente. Na partida de ida, em La Plata, o Flamengo também empatou sem gols e passou os 90 minutos sem acertar uma finalização na direção do gol.

Na volta, tinha torcida, mando de campo e, por quase todo o segundo tempo, vantagem numérica. Ainda assim, não conseguiu marcar.

A eliminação acaba sendo consequência de um problema que atravessou os dois jogos: posse sem profundidade, circulação de bola sem agressividade e enorme dificuldade para transformar domínio territorial em oportunidades claras. O Flamengo trocou centenas de passes no Maracanã, mas terminou a semifinal inteira sem balançar a rede do Estudiantes.

O Estudiantes, por sua vez, soube exatamente qual partida precisava disputar. Sobreviveu à pressão inicial, reorganizou-se depois da expulsão e confiou em Muslera quando a classificação chegou aos pênaltis.

Para o Flamengo, resta agora o Campeonato Brasileiro, competição na qual segue líder. A eliminação continental, entretanto, deixa uma cobrança imediata sobre um elenco de alto investimento que teve praticamente todas as condições favoráveis no jogo decisivo, mas mostrou pouca criatividade, pouca agressividade ofensiva e falhou justamente quando mais precisava transformar domínio em gol.

FONTE/CRÉDITOS: UOL/GE

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Hellander LizDae

Estagiário de jornalismo e escritor. Atua na produção de matérias diversas e conteúdo esportivo para a RCWTV.

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