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Quinta-feira, 11 de Junho 2026
Ciência e Tecnologia

FAPESP e Aliança Universitária de Berlim assinam acordo de cooperação

Objetivo é expandir a colaboração entre Brasil e Alemanha. Está previsto o lançamento de uma chamada de propostas até o fim do ano

Talia Santana
Por Talia Santana
FAPESP e Aliança Universitária de Berlim assinam acordo de cooperação
Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP, e Verena Blechinger-Talcott, integrante do comitê executivo da BUA e vice-presidente de internacionalização da Freie Universität Berlin: objetivo do acordo é levar relação entre ciência paulista e alemã a um
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Helo Reinert | Agência FAPESP – A FAPESP assinou, em 5 de setembro, um acordo de cooperação científica e tecnológica com a Aliança Universitária de Berlin (BUA), que é composta pela Freie Universität Berlin, a Humboldt Universität zu Berlin, a Technische Universität Berlin e o Hospital Universitário Charité. A colaboração vai se dar por meio do lançamento de chamadas de propostas conjuntas com o objetivo de executar projetos, organizar seminários e reuniões científicas e atividades de intercâmbio em todas as áreas do conhecimento por um período de cinco anos. Está previsto o lançamento de uma chamada conjunta até o fim deste ano.

“Quero agradecer a cada um dos participantes desse encontro. A relação com as universidades de Berlim e com toda a comunidade científica e tecnológica alemã é muito importante para a FAPESP e para o Estado de São Paulo. Neste ano, tivemos dois marcos importantes. Realizamos, em Berlim, a FAPESP Week Alemanha, que foi um sucesso. Depois disso, recebemos a visita de Katja Becker, presidente da Sociedade Alemã de Amparo à Pesquisa (DFG), instituição com a qual mantemos uma relação muito próxima e trabalhamos conjuntamente há muitos anos”, ressaltou Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP.

Verena Blechinger-Talcott, integrante do comitê executivo da BUA e vice-presidente de internacionalização da Freie Universität Berlin, disse que a relação entre Berlim e São Paulo sempre foi importante e tornou-se ainda mais visível recentemente. Ela fez uma retrospectiva das mais recentes iniciativas alemãs para reunir universidades e institutos de excelência e criar espaços sólidos para o desenvolvimento da ciência e da colaboração. E acrescentou que a internacionalização sempre foi um elemento-chave da estratégia alemã.

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“Estamos muito entusiasmados de estar aqui para conversar sobre colaboração e sobre o que o futuro poderá nos trazer”, comentou. A comitiva contou ainda com representantes da Fundação do Patrimônio Cultural Prussiano, do Ministério Federal de Pesquisa, Tecnologia e Espaço (BMFTR), do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), do Instituto Ibero-Americano (IAI) e do consórcio acadêmico Mecila (sigla em inglês para Centro Maria Sibylla Merian Convivialidade-Desigualdade na América Latina). Este consórcio abriga, do lado alemão, a Freie Universität, a universidade de Colônia e o IAI. O lado latino-americano reúne a Universidade de São Paulo (USP), o Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), El Colégio de México e Conicet/Universidade de la Plata.

Durante o encontro, Zago explicou que a FAPESP apoia pesquisas em todas as áreas do conhecimento. E destacou um projeto em particular: o financiamento, pelo período de cinco anos, do Centro de Documentação de Línguas e Culturas Indígenas do Brasil, em parceria com o Museu da Língua Portuguesa e o Museu de Arqueologia e Etnologia da USP. O centro tem o compromisso de pesquisar, documentar e difundir a diversidade linguística e cultural dos povos originários do Brasil, em especial, as línguas indígenas menos documentadas. “Nós tomamos a iniciativa de apoiar esse projeto e atuamos em colaboração com o Ministério dos Povos Indígenas e o Museu Nacional dos Povos Indígenas”, contou Zago.

A equipe da Diretoria Científica da FAPESP apresentou um vídeo com as principais áreas de fomento da Fundação e apontou oportunidades para financiamento conjunto. O diretor científico, Marcio de Castro, destacou um projeto na área da agricultura. Trata-se do Centro de Pesquisa Aplicada em Inovação e Sustentabilidade da Citricultura criado em parceria com o Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) e a USP para combater as doenças que assolam os laranjais, com destaque para o greening. A doença reduziu drasticamente a produção de laranjas na Flórida. No Brasil, 40% das plantas foram infectadas pela doença.

“Lançamos um centro internacional com o Fundecitrus que reúne cientistas de diversos países para atacar esse problema, uma vez que, de cada dez copos de suco de laranja bebidos no mundo, sete são produzidos em São Paulo”, destacou Castro.

“Trata-se de um approach diferente”, explicou Zago. “É um projeto de pesquisa que mira uma questão prática que afeta a sociedade. Em geral, nesse modelo, grandes empresas entram como parceiras.”

Blechinger-Talcott falou sobre colaborações e mencionou algumas iniciativas de financiamento em andamento na Alemanha, destacando áreas de interesse como física quântica, polarização política e saúde global. “Esse é o começo de uma cooperação mais sistemática e estratégica entre os ambientes de pesquisa em Berlim e São Paulo”, disse. “Temos muitos pontos em comum. Entre eles, universidades fortes e numerosos institutos de pesquisa. Algumas dessas instituições já colaboram, mas individualmente. Queremos levar essa relação a um novo nível para que juntos possamos ajudar a resolver problemas globais, desenvolver mais pesquisas e proporcionar oportunidades para pesquisadores em início de carreira.”

Entre os representantes da FAPESP na reunião também estiveram presentes o diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, Carlos Graeff; os assessores da Presidência Raul Machado e Claudia Toni; a gerente de Colaborações em Pesquisa, Connie McManus; e a assessora Laura Redondo de Campos.
 

 

 

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FONTE/CRÉDITOS: Helo Reinert | Agência FAPESP

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