Estudos conduzidos pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) estão ampliando as possibilidades da vitivinicultura no estado, ao recomendar novas cultivares de uva com bom desempenho no manejo de dupla poda. A técnica, adaptada pela instituição, permite que a maturação e a colheita das uvas ocorram no período de inverno, favorecendo a produção de vinhos de maior qualidade.
Com os resultados, os produtores passam a contar com nove novas cultivares consideradas produtivas sob esse sistema, ampliando o portfólio de vinhos de colheita de inverno, que até então se concentrava, principalmente, nas uvas Syrah e Sauvignon Blanc.
Segundo a pesquisadora da Epamig, Cláudia Souza, havia uma demanda do setor por maior diversidade de variedades. “Buscamos diversificar a produção dos vinhos de colheita de inverno para atender aos diferentes perfis de consumidores, ampliando as opções além das cultivares tradicionalmente utilizadas”, explica.
As pesquisas tiveram início em novembro de 2015 e foram desenvolvidas com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig). Em parceria com a vinícola Casa Geraldo, foi implantado um vinhedo experimental no município de Andradas, no Sul de Minas, onde as variedades foram avaliadas ao longo de cinco safras, entre 2018 e 2022.
Ao todo, foram testadas 12 cultivares, sendo oito tintas e quatro brancas, de diferentes origens, majoritariamente francesas. Todas as uvas brancas avaliadas apresentaram potencial agronômico e enológico e, por isso, foram recomendadas: Vermentino, Muscat à Petits Grains Blanc, Viognier e Marsanne.
Entre as tintas, mostraram bom desempenho as cultivares Tempranillo, Grenache, Touriga Nacional, Marselan e Mourvedre. Já as variedades Carménère e Petit Verdot não se mostraram viáveis para o cultivo de inverno, devido à baixa produtividade observada. A Syrah foi utilizada como cultivar de controle durante o estudo.
De acordo com o pesquisador da Epamig, Francisco Câmara, os resultados são fruto de um longo processo de avaliação. “Foram cerca de sete anos de estudos para verificar se as cultivares respondiam bem ao manejo de dupla poda. Buscamos variedades vigorosas, produtivas e com boa qualidade de uva e vinho, o que nos deu robustez para realizar as recomendações”, destaca.
Entre as variedades avaliadas, a Marselan recebeu atenção especial dos pesquisadores. A uva tinta francesa apresentou facilidade de brotação, boa produtividade e elevado potencial de acúmulo de açúcar, variando entre 23° e 25° Brix, além de manter acidez elevada, características desejáveis para a produção de vinhos de qualidade.
Aplicação das novas cultivares
Os resultados da pesquisa já vêm sendo incorporados por produtores mineiros. Variedades como Merlot, Cabernet Sauvignon, Tempranillo e Marselan já estão sendo utilizadas na produção de vinhos de colheita de inverno por meio do manejo de dupla poda.
“O nosso desejo é ver esses resultados chegando ao mercado e ao consumidor final, o que representa uma grande oportunidade para que o produtor amplie seu portfólio e agregue valor à produção”, afirma Francisco Câmara.
Difusão do conhecimento
As recomendações estão reunidas no Boletim Técnico da Epamig, lançado em 2025, que apresenta informações detalhadas sobre produção e potencial enológico das cultivares avaliadas. A versão digital da publicação está disponível para aquisição na livraria da instituição.
FONTE/CRÉDITOS: GOVERNO DE MINAS GERAIS
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