A crise climática na apicultura foi o principal tema do 5º Congresso Mineiro de Apicultura e Meliponicultura e do 22º Seminário de Apicultura do Norte de Minas, realizados entre os dias 22 e 23 de outubro, em Montes Claros. Promovidos pela Federação Mineira de Apicultura (Femap), em parceria com a Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), os eventos reuniram mais de 1.500 participantes no Parque João Alencar Athayde.
Produtores, técnicos, pesquisadores e representantes de entidades se reuniram para trocar experiências e buscar soluções conjuntas que fortaleçam a sustentabilidade do setor apícola em Minas Gerais.
Sustentabilidade e fortalecimento da cadeia produtiva
Durante a abertura do evento, o secretário de Agricultura, Thales Fernandes, foi homenageado pelo apoio ao desenvolvimento da cadeia apícola no estado. Ele destacou a importância da atividade para a agricultura familiar mineira:
“São milhares de produtores que trabalham nesta cadeia, agregando valor ao mel e ao própolis. A Secretaria de Agricultura, junto à Emater, IMA e Epamig, atua em parceria com os produtores e com a Femap para fortalecer cada vez mais o setor”, afirmou.
Também receberam homenagens representantes do Sebrae-MG, Faemg/Senar, Codevasf e Ocemg, instituições que contribuem para o avanço da apicultura em Minas.
Impactos da crise climática nas abelhas
Os efeitos da mudança climática sobre as populações de abelhas dominaram os debates. O vice-presidente da Femap, Elizeu Araújo, alertou para os riscos à biodiversidade e à segurança alimentar:
“A mudança climática, além de prejudicar a produção de mel, afeta diretamente a polinização, comprometendo a produção de alimentos em escala global. É preciso discutir e agir para minimizar esses impactos”, destacou.
Além das palestras e painéis, o evento incluiu uma feira de produtos apícolas e novas tecnologias, reforçando a importância da inovação para a adaptação do setor às novas condições ambientais.
Montes Claros, polo estratégico da apicultura
A escolha de Montes Claros como sede do congresso reflete a relevância do Norte de Minas na produção apícola. A região é reconhecida pela presença de grandes colmeias e pela produção do mel de aroeira, conhecido por seus comprovados benefícios medicinais.
Embora a apicultura esteja presente em todo o estado, o Norte e o Vale do Jequitinhonha se destacam como os maiores polos produtivos, combinando tradição e inovação no manejo das abelhas.
Produção mineira de mel é referência nacional
De acordo com a Emater-MG, Minas Gerais produz, em média, 7,67 mil toneladas de mel por ano. A Região Central lidera o ranking com 1,75 milhão de quilos, seguida pelo Centro-Oeste (1,41 milhão), Norte (1,09 milhão) e Jequitinhonha/Mucuri (1,05 milhão).
A agricultura familiar é responsável por cerca de 80% da produção de mel e 70% da produção de própolis no estado. Dos 9.229 produtores mineiros, 7.526 são familiares. O mel mineiro é exportado para países como União Europeia, Reino Unido, Japão e Canadá.
Investimentos e inovação no setor apícola
Em 2025, a Seapa investiu mais de R$ 1,6 milhão na compra de 455 kits de apicultura, entregues em diferentes regiões do estado. Cada kit inclui colmeias, ferramentas, cera de abelha e equipamentos de segurança, com capacidade para produzir entre 100 e 125 kg de mel por ano, além de própolis, pólen e geleia real.
Além do mel, a produção de própolis verde também cresce. Em 2023, Minas Gerais registrou 260 toneladas do produto, mantendo-se como o maior produtor do país.
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