O aumento de etanol na gasolina de 30% para 32% (E32), recém-aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), gerou forte divergência entre o Ministério Público Federal e a indústria sucroenergética sobre a segurança mecânica e o impacto econômico nos veículos brasileiros.
Inconformado com a medida, o Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública para suspender a decisão do conselho. O órgão exige a realização de perícias técnicas independentes antes de consolidar o novo percentual no combustível nacional.
Segundo os procuradores, a documentação apresentada não comprovou a segurança do E32 quanto ao desgaste de componentes, emissões e autonomia. Há alertas sobre riscos de corrosão, falhas na injeção eletrônica e danos em bombas de combustível, afetando sobretudo motos, carros antigos e importados.
Defesa do setor produtivo
Em contrapartida, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) defendeu a alteração. A entidade argumenta que a mistura expande a segurança energética do Brasil, além de diminuir a necessidade de importar combustível fóssil e conter reajustes nas bombas.
Conforme a Unica, testes conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia em veículos fabricados entre 1994 e 2024 não apontaram falhas de dirigibilidade, consumo ou partida a frio. Os levantamentos foram coordenados pelo Ministério de Minas e Energia.
Do ponto de vista econômico, a entidade prevê uma redução de 800 milhões de litros de gasolina importada por ano. A Unica calcula ainda que a presença do biocombustível evitou uma alta de R$ 8 bilhões no custo dos combustíveis em apenas três meses.

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