O Centro de Preservação da Memória Negra de Juiz de Fora e Região (CPMN), em parceria com a Secretaria Especial da Igualdade Racial (Seir), promoveu nesta quarta-feira (24) a segunda edição da série de apresentações de pesquisas acadêmicas “Epistenegrologias Insurgentes”. A iniciativa busca combater o que a filósofa Sueli Carneiro chama de “epistemicídio”, processo de desvalorização do conhecimento produzido por grupos racializados, especialmente negros.
O encontro ocorreu no Anfiteatro João Carriço, localizado na Avenida Barão do Rio Branco, 2234, às 19h, e contou com a participação da especialista em literatura e cultura afro-brasileira Denise Nascimento. Ela apresentou a pesquisa “Desengomando a liberdade: trabalhadoras negras do serviço doméstico e suas agências em Juiz de Fora (1887-1892)”. A entrada foi franca, sem necessidade de inscrição prévia.
Denise explicou que o estudo aborda como as trabalhadoras negras da cidade encontraram formas de exercer liberdade e autonomia dentro do contexto restritivo do serviço doméstico nos anos finais do período escravocrata. “Desengomar a liberdade foi uma estratégia da população negra diante da negação da elite escravista juiz-forana em aceitar as lutas pela liberdade e os significados dados a esta luta”, destacou a pesquisadora.
O nome “Epistenegrologias” é um trocadilho com epistemologia, ramo da filosofia que estuda a natureza, origem e validade do conhecimento. O objetivo do evento é dar visibilidade a pesquisas que centram suas discussões na negritude e insurgem contra a tentativa histórica de apagamento do conhecimento afrocentrado e diaspórico.
Ao promover a série, o CPMN reafirma seu papel como espaço democrático e vivo de produção de saberes, consolidando um novo modelo de museologia voltado à preservação da cultura negra e à valorização da memória e da pesquisa acadêmica na cidade.
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