A Comissão Externa da Câmara dos Deputados de Prevenção e Enfrentamento da Violência Sexual Infantojuvenil ouviu, na quarta-feira (21), mães de quatro crianças desaparecidas em três estados diferentes: Maranhão, Rio de Janeiro e Pará.
Durante o encontro, as participantes e seus representantes legais relataram graves obstáculos para acompanhar o andamento dos inquéritos. Elas também destacaram a escassez de dados concretos sobre o paradeiro de seus filhos e os impactos emocionais sofridos pelas famílias.
Clarice Cardoso é mãe dos irmãos Ágatha Isabelly e Allan Michael. Os pequenos sumiram em janeiro deste ano em uma comunidade quilombola na zona rural de Bacabal, no Maranhão.
Ela lamentou que, após nove meses do ocorrido, a apuração policial ainda não tenha sido finalizada. A defesa da família aponta a possibilidade de os menores terem sido alvos de uma rede criminosa.
A advogada Nathaly Moraes criticou a condução inicial do caso. Segundo ela, a ausência de acionamento imediato da Polícia Federal representou uma falha nos procedimentos básicos de busca.
Outro ponto levantado foi a tendência de culpabilizar as genitoras em ocorrências semelhantes. Por isso, a defesa defende a federalização desse tipo de apuração no Brasil.
Já Marize Araújo, mãe de Edson Davi, sumido desde janeiro de 2024 na Praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, rejeita a tese de afogamento apresentada pelas autoridades.
Ela relatou negligência na checagem de suspeitos e falhas estruturais, como câmeras de segurança desligadas. A mãe clama por uma atuação mais humanizada e rigorosa do Estado.
Emocionada, Geycyara Souza Gonçalves relatou a falta de respostas sobre o sumiço de José Arthur Souza Barros, ocorrido em Eldorado do Carajás, no Pará, em março de 2026.
O advogado Elisson Araújo sugeriu medidas preventivas, como o cadastro de biometria facial infantil logo após o nascimento para evitar fraudes em documentos e facilitar localizações.
O coordenador da comissão, deputado Fernando Rodolfo, prometeu criar propostas legislativas. O objetivo é permitir que a Polícia Federal atue nesses casos com mais agilidade e sem travas burocráticas.

RCWTV
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