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Sabado, 13 de Abril de 2024
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Café com Cidadania reúne profissionais e parceiros para conversa sobre a mulher na segurança pública

O Café com Cidadania vem criando oportunidade de diálogo e articulação de rede, com pessoas e instituições que pensam temas afins.

Redação
Por Redação
Café com Cidadania reúne profissionais e parceiros para conversa sobre a mulher na segurança pública
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Uma pausa nas rotinas operacionais de mulheres que trabalham na segurança pública para um café e conversa. Foi desta forma que o Café com Cidadania, realizado na manhã desta quarta-feira, 15, na sede da Secretaria de Segurança Urbana e Cidadania (Sesuc), promoveu o encontro de profissionais, gestores, estudantes e representantes da sociedade civil em torno da discussão sobre a mulher na segurança pública. 
 

Diante da sala cheia, a secretária Letícia Paiva Delgado abriu o evento ressaltando o peso institucional e social de vestir um uniforme, para as mulheres que atuam na segurança. “Eu não imagino o que seja vestir um uniforme, não por não considerar a importância dele, mas exatamente pelo que ele representa. Junto com o cargo vem a carga”, avaliou em referência às expectativas e demandas que a profissional precisa está apta a atender diariamente, por ser mulher em uma área predominantemente masculina”.
 

A permanente necessidade de comprovação de capacidade e competência perpassou as falas de grande parte das profissionais na roda de conversa. A delegada da Polícia Civil, Alessandra Azalim, ilustrou a questão com sua experiência pessoal. “Por sermos mulheres, a gente enfrenta muitas dificuldades, preconceitos, críticas. Quando eu comecei na carreira, muito nova, cheguei numa cidade em que a delegacia era composta majoritariamente por homens e eu tinha que comandar. Cheguei a ouvir ‘ela ainda cheira a leite, como quer comandar homens’. Com o tempo eu fui conquistando a confiança de colegas que antes duvidavam que eu fosse sobreviver na polícia”,  exemplificou. 
 

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Os questionamentos vêm de todos os lados. Para a policial penal Gleyci, ocupar a função que ocupa, o mesmo cargo que um homem, representa ter que se desdobrar e se empenhar em dobro. Ela lembra que quando precisa dirigir uma ambulância, percebe olhares de surpresa nas ruas por ser uma mulher ao volante. “Nossa, você dirige bem, comentou um colega certa vez. Respondi que já tinha mais de 15 anos de carteira”, numa referência ao estereótipo de mulher não saber dirigir. 
 

A sargento do Corpo de Bombeiro, Paula, contou o episódio de resgate de corpo de vítima de afogamento, em que o parceiro da operação brincou, perguntando se ela estava levando biquini para tomar sol, enquanto ele estivesse na ação. “Por fim, eu carreguei equipamento, mergulhei várias vezes e acabei conseguindo localizar o corpo. Desse dia em diante, ele não deixou mais de me incluir nas operações que coordenou”, afirmou vitoriosa.
 

Mesma sensação que experimentou a guarda municipal, Ana, que relatou ter sido deixada de fora da distribuição de equipes em determinada ocasião pelo fato de ser mulher. “Quando eu perguntei em que equipe eu ficaria, tive como resposta: tanto faz. Isso porque o que importava eram os guardas homens a mulher era a tanto faz. No entanto, há um ano, em uma ação na rua, fui eu a tanto faz quem agiu para proteger um companheiro homem que iria ser agredido”, enfatizou.
 

As invalidações enfrentadas vão dos próprios profissionais com quem as mulheres trabalham, até as pessoas a quem atendem pelo simples fato de serem mulheres. “Quantos sonhos nós deixamos de sonhar por ser mulher”, questionou, a delegada Alessandra Azalim, incentivando a todas que não deixem o preconceito ser empecilho no caminho da realização pessoal.
 

O Café com Cidadania vem criando oportunidade de diálogo e articulação de rede, com pessoas e instituições que pensam temas afins. O objetivo é entender as dificuldades, com foco na convergência e na vontade de realizar ações para o fortalecimento da cidadania em uma sociedade mais segura. 
 

A construção coletiva de caminhos para a consolidação de políticas públicas é uma condição que permeia todo o trabalho da segurança na administração municipal. A iniciativa se insere no modelo de trabalho intersetorial, fortalecendo parcerias e redes como instrumentos para a cidadania e da cultura de paz. 

 

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