Pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora, autores do artigo que demonstra como o vírus da Covid-19 se alastrou nas mais diferentes regiões do território de Juiz de Fora durante os meses de março a novembro de 2020, apontam dados alarmantes em relação a Covid.
A abordagem, inovadora no país, permitiu verificar uma quantidade maior de casos notificados em bairros mais favorecidos, ao mesmo tempo em que os maiores números de hospitalizações e mortes por decorrência da doença aconteceram em bairros com maior índice de vulnerabilidade social.
Os pesquisadores Fernando Colugnati e Mário Nogueira, professores da Faculdade de Medicina da UFJF, explicam o diferencial das análises. “A maioria dos atuais estudos compara a situação epidemiológica de diferentes estados de um país ou entre diferentes localidades, fazendo assim uma análise mais geral. O nosso trabalho explora dados de um município de médio porte, segundo a classificação do IBGE, relacionando os bairros da cidade, classificados a partir do Índice de Vulnerabilidade em Saúde (HVI, sigla em inglês), com os números de casos suspeitos, confirmados, hospitalizações e mortes pela doença.”
Dados epidemiológicos do período e metodologia utilizada
Entre março e novembro de 2020, o município de Juiz de Fora registrou 30.071 casos suspeitos de Covid-19, com 8.063 confirmações. Deste quantitativo, 1.186 pessoas precisaram ser hospitalizadas e 376 vieram a óbito. O estudo dividiu o período em três momentos: entre os meses de março e maio, foi observado um aumento exponencial no número de casos na cidade. Já entre junho e agosto, os casos continuaram em um patamar alto, que foi reduzido entre os meses de setembro e novembro. No final do último período, foi constatado outro aumento exponencial no nível de casos registrados.
Dificuldade de acesso a testes em regiões de maior vulnerabilidade social
A partir da metodologia, foi possível aferir que as regiões urbanas de maior vulnerabilidade social apresentaram número menor de casos confirmados, ao mesmo tempo que apresentam maior risco de internações e óbitos pela doença. “O Índice de Vulnerabilidade em Saúde deixa claro que o acesso aos testes era muito mais difícil nos bairros com maior vulnerabilidade. Em meados de 2020, cerca de 60% dos testes eram realizados na rede privada, e não pela Prefeitura. Isso demonstra que, na verdade, existia uma falta de acesso a esses testes na rede pública, que é aquela que a maioria da população dos bairros com índices de vulnerabilidade mais baixos teriam acesso”, analisam Colugnati e Nogueira.
Confira o artigo completo na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.