O presidente interino do Brasil, Geraldo Alckmin, comunicou ao vice-presidente da República Popular da China, Han Zheng, sua apreensão quanto às salvaguardas impostas pelo país asiático sobre a carne bovina brasileira. A conversa telefônica, que durou cerca de 30 minutos, ocorreu nesta quarta-feira (28).
As salvaguardas chinesas para a importação de carne bovina, que abrangem produtos do Brasil, Austrália e Estados Unidos, foram implementadas em 1º de janeiro deste ano, com previsão de duração de três anos. Para o Brasil, a expectativa inicial é a aplicação de uma sobretaxa de 55% sobre volumes de carne que excedam a cota anual de 1,1 milhão de toneladas.
Tais salvaguardas são mecanismos de defesa comercial, utilizados em circunstâncias específicas para regular a entrada de produtos importados, visando, em geral, à proteção ou à manutenção de setores econômicos internos.
Na ausência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está no Panamá para o Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe, o vice-presidente Geraldo Alckmin assumiu interinamente a chefia do Executivo nesta quarta-feira.
Importância do setor pecuário
Durante o diálogo, Alckmin, que também exerce o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, destacou a fundamental importância da pecuária para a economia brasileira e a relevância que o setor possui para o governo federal.
Conforme informações do Planalto, ambos os líderes abordaram também a questão de investimentos, com foco particular em infraestrutura, tecnologia, inovação e sustentabilidade.
Na mesma chamada, Alckmin e Zheng ressaltaram o expressivo crescimento de 8,2% na corrente de comércio bilateral em 2025, que atingiu um novo recorde anual de US$ 171 bilhões. Eles também reafirmaram o compromisso de manter o diálogo para expandir e diversificar as relações comerciais entre Brasil e China.
Concluindo a conversa, o presidente interino estendeu um convite a Han Zheng para visitar o Brasil por ocasião da próxima reunião da Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (COSBAN), cuja data ainda será definida.

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