A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) endureceu o tom em relação à condução da economia nacional nesta quarta-feira (10). Em análise divulgada após a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, no patamar de 15%, a entidade apontou a expansão descontrolada dos gastos públicos como a principal causa para o cenário de estagnação e crédito caro.
Para a liderança industrial, o Banco Central se vê de mãos atadas, sem espaço técnico para reduzir os juros enquanto o governo federal não apresentar uma política fiscal responsável e contracionista.
O desequilíbrio das contas
O presidente da FIEMG, Flávio Roscoe, utilizou uma analogia doméstica para criticar a gestão das contas públicas. Segundo ele, o governo opera na contramão do que o bom senso financeiro dita: expande despesas quando deveria cortá-las.
"O governo precisa parar de gastar e fazer como fazemos na casa da gente: se está apertado, você aperta o cinto. Não expande o gasto. Essa conta não fecha desse jeito", disparou Roscoe.
A avaliação da entidade é que a atual política fiscal é "equivocada" e alimenta um ciclo vicioso. O aumento das despesas gera incerteza e inflação, obrigando a autoridade monetária a manter a taxa de juros elevada para segurar os preços, o que acaba travando o crescimento do país.
Impacto no bolso e na produção
Com a Selic estacionada em 15%, os efeitos colaterais são sentidos tanto no chão de fábrica quanto na mesa do consumidor. A FIEMG alerta para o aumento da inadimplência e a retração drástica nos investimentos produtivos.
O cenário desenhado por Roscoe é de asfixia financeira. Empresas que tomaram crédito para investir agora veem suas dívidas se multiplicarem, enquanto famílias que financiaram imóveis, veículos ou bens duráveis têm a renda corroída pelo custo do dinheiro. "A taxa básica de juros deprime todos aqueles que estão endividados... falta dinheiro para outras finalidades", concluiu o presidente, reforçando que, sem ajuste fiscal, a retomada econômica permanece distante.
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