Será que começamos a “nos perder” nos nossos relacionamentos quando passamos a
aceitar como verdadeira a ideia de que ou as pessoas são totalmente boas e virtuosas ou elas
são más e desprovidas de graça ou de virtude? Essa ideia carrega uma dicotomia perigosa.
Traz em si a seguinte lógica: ou você é totalmente bom ou totalmente mau. Você precisa ser
perfeito ou não serve ou ainda: nenhum erro é tolerável. Porém, isso não é humanamente
possível. Não existe nenhum ser humano que não tenha cometido nenhuma falha.
Mas outra ideia complicada e que dificulta a nossa convivência é a ideia de querer
colocar todas as pessoas como igualmente erradas. Essa é uma balança injusta. Nessa
balança, tudo é a mesma coisa. Existe um esforço para que todos sejam iguais. Como se o
fato de duas pessoas terem se comportado de alguma forma considerada moralmente ruim e
parecida, justifica colocar o mesmo rótulo, desconsiderando as suas diferenças.
Através da influência desse tipo de pensamento, você pode ter decidido encarar
alguém de uma maneira bem diferente da realidade. Você simplesmente decidiu passar a
enxergar essa pessoa como alguém egoísta, traidor(a), preconceituoso(a) e tantos outros
adjetivos que colaram muito bem no rótulo que você quis encaixar nessa pessoa, mas todos
esses adjetivos eram apenas um rótulo mesmo. Não descreviam em nada a pessoa de verdade.
Você começou a selecionar todas as reações e comportamentos dessa pessoa que se
encaixavam nessa ideia que você tinha sobre ele (ou ela) e deixou de considerar tudo o que
essa pessoa fazia que era justamente o oposto disso. Por isso, quando alguém decide não
gostar de você, pode ser muito infrutífero tentar convencer essa pessoa do contrário.
Primeiro que as pessoas têm a liberdade de gostarem ou não de quem elas quiserem,
inclusive de você. Depois, algumas vezes não adianta tentar convencer quem acredita estar
com a razão e acaba usando justificativas vazias para simplesmente reafirmar uma ideia sobre
o outro que, por vezes, escapa até mesmo a lógica.
Finalmente, se você acredita que tem tempo suficiente para convencer as pessoas
sobre quem é você, vá em frente. Se realmente acredita que vale a pena o esforço para se
justificar, se explicar, siga. Mas talvez você já tenha entendido que as pessoas que importam,
aquelas que realmente amam e conhecem você de verdade, não precisam disso. Então você
pode simplesmente ignorar tudo isso e viver a sua vida em paz.
Autora:
Mônica Reis é mãe de três garotos lindos de viver. Uma pessoa curiosa que gosta de conhecer
novos lugares e de ler que é outra forma de viajar. É formada em psicologia e atua no âmbito
clínico atendendo jovens e adultos. Localização: Barra dos Coqueiros SE. Instagram:
@bymonicareis.
RCWTV
Comentários: