A cidade histórica de Tiradentes, na região do Campo das Vertentes, começou a substituir as tradicionais charretes puxadas por cavalos por veículos elétricos. A iniciativa foi oficializada nesta quinta-feira (5), com a entrega das 10 primeiras charretes elétricas ao município pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).
O projeto marca o início de uma transição gradual para o fim da tração animal no turismo local, mantendo a atividade dos charreteiros e ampliando a proteção aos animais. A previsão é que outras 20 charretes elétricas sejam entregues ao município nos próximos meses.
Projeto busca proteger animais e manter tradição turística
A iniciativa faz parte do Projeto Charretour, desenvolvido pelo Instituto Arbo e financiado com recursos de medidas compensatórias direcionadas pelo MPMG por meio da Plataforma Semente.
O programa é acompanhado pela Coordenadoria Estadual de Defesa dos Animais (Ceda) e pela Promotoria de Justiça de São João del-Rei, com foco na implementação de um modelo de turismo mais sustentável e ético.
Segundo a promotora de Justiça Luciana Imaculada de Paula, que coordena a Ceda, cada charreteiro participante entrega a charrete antiga e os cavalos utilizados na tração, recebendo em troca um veículo elétrico.
Os animais que trabalhavam nos passeios turísticos serão encaminhados para adoção responsável, sob supervisão de entidades de proteção animal.
“Depois de passar uma vida puxando veículos em Tiradentes, agora os cavalos terão direito de descansar”, afirmou a promotora.
Cavalos serão encaminhados para adoção responsável
A médica veterinária Vânia Plaza Nunes, diretora técnica do Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, explicou que será realizada uma triagem dos interessados em adotar os cavalos.
A proposta é garantir que a mudança ocorra de forma organizada, respeitando tanto os trabalhadores do turismo quanto o bem-estar dos animais.
Pessoas interessadas em adotar os cavalos podem entrar em contato com o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal ou com o Instituto Arbo, responsáveis pelo programa.
Novo modelo mantém trabalho dos charreteiros
O charreteiro Reginaldo Dantas, que atua há 28 anos na atividade, participou de um treinamento de seis meses para adaptação ao novo veículo.
As charretes elétricas têm capacidade para quatro passageiros, contam com cintos de segurança e devem circular pelo centro histórico de Tiradentes em média a 12 km/h, velocidade considerada ideal para os turistas apreciarem o patrimônio da cidade.
De acordo com Reginaldo, o veículo pode atingir até 30 km/h com segurança e também permite acessar locais onde as antigas charretes tinham dificuldade de circulação.
Outras cidades turísticas podem seguir o exemplo
A promotora Luciana Imaculada de Paula afirmou que o modelo adotado em Tiradentes pode servir de referência para outros destinos turísticos que ainda utilizam tração animal.
Segundo ela, cidades como Caxambu, São Lourenço e Poços de Caldas já iniciaram processos de transição semelhantes.
Projeto nasceu após ação judicial
A substituição das charretes foi impulsionada por uma Ação Civil Pública (ACP) movida pelo Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal, que resultou em um acordo judicial para implementar alternativas à tração animal.
O projeto foi viabilizado por um Termo de Compromisso firmado entre diversas instituições, incluindo MPMG, Instituto Arbo, Prefeitura de Tiradentes, Associação de Charreteiros, o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e o deputado Noraldino Júnior.
As novas charretes foram desenvolvidas pela empresa Verth, especializada em soluções de mobilidade elétrica, que criou um modelo que mantém a estética tradicional das carruagens, mas com motorização 100% elétrica
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