Em sequência à série “TBT Histórico” com foco em Dom Pedro II, a Fundação Museu Mariano Procópio (Mapro) apresenta duas representações satíricas do segundo imperador do Brasil e do regime monárquico, elaboradas pelos caricaturistas Rafael Bordalo Pinheiro e Ângelo Agostini. Os links para acessar os conteúdos estão disponíveis no Facebook e no Instagram.
A charge do português Rafael Bordalo Pinheiro é parte do “Álbum das Glórias”. Na caricatura, Dom Pedro traja sobrecasaca, calça e sapatos. Com a mão esquerda, que está atrás do corpo, ele segura uma mala da qual cai o manto imperial. Em uma cadeira, aparecem a coroa e o cetro do monarca. Através desses elementos, o caricaturista faz uma crítica à construção da imagem do imperador como um “monarca cidadão”, avesso às pompas do poder, mas detentor de privilégios oriundos de sua posição. Além disso, a obra sugere um certo desinteresse dele por seu “ofício” e pelas questões de Estado.
Bordalo Pinheiro também aborda a construção da imagem de Dom Pedro II como um “monarca ilustrado”, afeito às artes, ciências e letras. A postura dele - a mão direita sob o queixo, a cabeça levemente inclinada para trás e o olhar direcionado para cima - remete ao ato de pensar. Abaixo do desenho, lê-se a expressão “já sei, já sei”, assim, o autor representa o imperador como um chefe de Estado mais interessado nas diversas áreas do conhecimento do que em temas políticos e sociais importantes para a sociedade brasileira.
O segundo link sugerido pela equipe técnica da Mapro refere-se a uma das inúmeras charges que circularam no final do século 19 e contribuíram para o “movimento republicano”, responsável pela queda da monarquia brasileira. Divulgada originalmente na famosa “Revista Illustrada”, em 1887, a charge apresenta um conjunto de representações que busca desqualificar ou dessacralizar o regime monárquico.
O monarca brasileiro aparece sobre um carro de bois, circulando em uma estrada repleta de lama. Atrás dele, escravizados são açoitados por um escravocrata a cavalo. Um estandarte ao lado do imperador traz o desenho de um caranguejo e a frase “Quero, posso e devo manter a escravidão”. Todos esses elementos situados ao lado direito da charge se associam ao atraso, ao passo que, do lado esquerdo, numa topografia mais elevada, encontra-se uma aglomeração de pessoas articuladas e engajadas na luta abolicionista e, portanto, simbolizando a afeição pelos ideais liberais, pautados na busca da civilização e do progresso. A república é associada à positividade, avanço, ao progresso e à modernidade, ao passo que a monarquia está relacionada à negatividade, ao atraso e às tradições que, segundo o autor, seriam as responsáveis pelas mazelas da sociedade brasileira, como a escravidão e a corrupção.
Confira os links:
- Artigo “O imperador do Brasil no Álbum das Glórias”, publicado na Revista Trama: arte, cultura e criatividade, em 2021
- “A Peça da Semana” exibe charge de famosa revista carioca no século 19
FONTE/CRÉDITOS: Ascom/PJF