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Secretário de Segurança Pública de MG responde questionamentos sobre a ação da PMMG e BOPE em Varginha

Ele ressaltou a periculosidade dos criminosos que estavam armados com fuzis, uma metralhadora capaz de derrubar aeronaves, além de pistolas e granadas

Secretário de Segurança Pública de MG responde questionamentos sobre a ação da PMMG e BOPE em Varginha
Armamento apreendido durante operação da PM e PRF que resultou na morte de 25 suspeitos de roubo a bancos em Varginha (MG) — Foto: Divulgação/Polícia Militar
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Resposta do Excelentíssimo senhor Secretário de Justiça e Segurança Pública do Estado de Minas Gerais, Dr. Rogério Greco, ao Presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de MG, em questionamento à Ação da PMMG e BOPE na cidade de Varginha no último domingo. Veja o conteúdo do documento completo:

Senhor Presidente,
Em resposta ao ofício CONEDH nº 80-A/2021, informamos a V.Sa que nos causa estranheza as colocações trazidas por esse r. Conselho, diante da
realidade deste tipo de criminalidade que está assolando o país, que ficou conhecida como Novo Cangaço, ou Domínio de Cidades.
Ao contrário do que foi exposto no referido ofício, em nenhum momento foi exaltada a morte dos criminosos que, certamente, entre a madrugada do dia 1 a 2 de novembro, praticariam uma série de atrocidades na cidade de Varginha, caso a polícia não tivesse, através de sua inteligência, levantado com antecedência seu plano de dominar brutalmente o município.
Os policiais militares e rodoviários federais que participaram desse confronto se dirigiram até o endereço dos suspeitos, que estavam fortemente
armados com fuzis dos calibres 7.62, 5.56, sem contar com uma metralhadora .50, capaz, inclusive, de derrubar aeronaves, além de pistolas, granadas, explosivos, enfim, todo um arsenal de guerra destinado a infundir o terror na localidade em questão. O intento criminoso era a prática de fato semelhante ao ocorrido recentemente na cidade de Araçatuba, no mês de agosto de 2021, onde as vítimas foram feitas como escudos humanos, sendo até mesmo colocadas nos tetos dos veículos para que pudessem evitar a ação policial na sua fuga.
Ao chegarem no local, os policiais foram imediatamente identificados pelo grupo, que deu início aos disparos com suas armas de fogo, tendo sido repelidos pelas forças de segurança, que agiram nos exatos limites da legítima defesa. Nesse confronto, felizmente, nenhum policial veio a se ferir. Causa-nos espécie a insinuação levada a efeito no referido ofício, acerca da “eliminação” dos suspeitos, como se não tivessem atacado as forças de segurança, que tão somente repeliram a injusta agressão.
Para que se tenha uma ideia aproximada de como esse grupo criminoso atua, seria de bom alvitre que V. Sa. assistisse a reportagem constante do seguinte link https://www.youtube.com/watch?v=GktDC-zedsU .
Seria de extrema valia, ainda, que os representantes do CONSEDH, numa outra oportunidade, deixando de lado teorias meramente acadêmicas, participassem de uma dessas operações especiais, para entenderem, como observadores, a realidade dos fatos, de forma a testemunharem que esses criminosos optam pelo confronto armado, ao invés de se entregarem à polícia.
Só a título de ilustração, o Estado de Minas Gerais reduziu drasticamente o número de ocorrências dessa natureza, caindo de 252 no ano de 2016, para 5 no corrente ano. Isso se deve à ação integradas das inteligências de todas as polícias, que atuam conjuntamente no combate à criminalidade.
Para nós da segurança pública, ao contrário da sugestão presente na redação do mencionado ofício, uma ação bem sucedida é aquela na qual é evitada a prática de crimes, sem que qualquer de seus agente saia ferido ou morto. O confronto depende única e exclusivamente dos criminosos, aqui gentilmente chamados de “suspeitos” por V. Sa., mesmo que com a organização criminosa tivesse sido encontrado um verdadeiro arsenal de guerra, a saber:


- ARMAMENTOS: 1 Fuzil .50; 2 Fuzil 7.62/39; 14 Fuzis 5.56; 3 Cal .12; 3 PT Taurus .380; 1 PT Smith Wesson 9mm; 2 PT Golck G17 9 mm / 1 com kit rajada; 2 Kit Roni


- MUNIÇÕES: 60 Munições .50; 2916 Munições 5.56; 991 Munições 7.62; 470 Munição 9 mm; 163 Munição .380; 123 Munições cal .12; 130 Munições cal.44; 206 Munições Cal.25.

Total: 5.059 Munições*

3 Carregadores .50; 77 Carregadores 5.56; 19 Carregadores 7.62; 6 carregadores de .380; 10 carregadores de 9mm; 1 Carregador .40;

Total: 116
Carregadores


- MATERIAIS DIVERSOS: 40 kgs de explosivos; 22 capas de coletes; 12 calças táticas; 10 blusas táticas; 1 capacete balístico; 5 balaclavas; 6 chapéu
táticos; 12 pares de colete balístico; 6 pares de joelheira; 12 galões de gasolina de 18 litros; 4 galões de diesel 100 litros; 7 rádios comunicadores; 7 caneta laser; 1 Martelete; 3 lanternas


- CARRETA PARA FUGA


Aproveitando o ensejo, e considerando a justa preocupação de V.Sa., indagamos se alguma medida foi tomada por esse E. Conselho com relação ao Policial Militar Cabo Marcos Marques da Silva, morto na cidade de Santa Margarida em julho de 2017, após tomar um tiro de fuzil quando da fuga dos criminosos que ali praticaram o Novo Cangaço? A família do referido policial foi, de alguma forma, assistida pelos senhores? Em caso positivo, qual foi a medida tomada para abreviar o sofrimento daqueles que perderam um ente querido? Queremos crer que a preocupação do Conselho não seja seletiva, e que não limite o conceito de direitos humanos somente à ação de criminosos.
Vale lembrar, ainda, que durante o episódio em Varginha, a perícia foi imediatamente acionada, tendo os médicos legistas da PCMG sido encaminhados, também, para a cidade, a fim de verificar e trasladar os corpos com maior rapidez possível para a cidade de Belo Horizonte.
No momento, dos 26 mortos em confronto, 19 já foram devidamente identificados, sendo que a maioria deles é portadora de significativa ficha criminal.
Assim, essas eram as informações que nos competiam.
Atenciosamente,
Rogério Greco
Secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública

 

Entenda o caso

A Polícia Federal deu início a uma investigação paralela sobre a operação policial que matou 26 suspeitos na madrugada do último domingo (31), na cidade mineira de Varginha, registra o UOL (na foto, as armas que foram apreendidas na ação).

Peritos da PF já foram aos sítios na área rural de Varginha onde as vítimas foram baleadas. Nenhum policial se feriu na ação. O Ministério Público e a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa mineira também investigarão o caso.

Segundo a PM de Minas Gerais, eles faziam parte de uma quadrilha especializada em assaltos a agências bancárias aos moldes do “novo cangaço”, tática também conhecida como “domínio de cidades”, e teriam participado do ataque a Araçatuba no final de agosto.

A Polícia Civil também desenvolve uma investigação sobre o caso. Hoje de manhã, foi confirmada a identificação de 19 corpos com base em impressões digitais. Os exames foram feitos em conjunto entre agentes da corporação e da própria PF.

Relatório de inteligência ao qual o UOL teve acesso identificou as vítimas, que faziam parte de núcleos da quadrilha em Minas Gerais, Goiás e Rondônia. A reportagem também apurou o histórico criminoso dos mortos, envolvidos em assassinatos, assaltos a mão armada, confronto com a PM e até mesmo em uma fuga do sistema prisional.

A Polícia Militar de Minas Gerais informou que os suspeitos foram socorridos ainda com vida nas duas chácaras onde foram baleados. A informação é questionada por especialistas.

"É difícil imaginar que todos os suspeitos sobreviveram inicialmente a uma troca de tiros com armas de alto poder de fogo. [A retirada dos corpos] esvazia a investigação e o laudo de perícia de local. Não estou dizendo que houve uma adulteração da cena do crime, mas isso precisa ser investigado", afirmou Cássio Thyone Almeida de Rosa, perito federal aposentado e conselheiro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

"O envolvimento dos suspeitos nessa série de crimes só reforça a ideia de que eles deveriam ter sido presos [não mortos], porque isso ajudaria a esclarecer crimes do tipo em outros estados. A ação foi mal planejada", disse o sociólogo Luis Felipe Zilli, pesquisador da Fundação João Pinheiro e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

Confira, abaixo, a lista dos suspeitos identificados:

Núcleo de Uberaba (MG)

Dirceu Martins Netto, Gleisson Fernando da Silva Morais, Ítallo Dias Alves, Júlio César de Lira e Thalles Augusto Silva

  • Thalles Augusto Silva, 32 anos - Tinha passagem pelo sistema prisional
  • Júlio César de Lira, 36 anos - Tinha passagem pelo sistema prisional
  • Dirceu Martins Netto, 24 anos - Respondeu a processo criminal
  • Itallo Dias Alves, 25 anos
  • Gleisson Fernando da Silva Morais, 36 anos - Respondeu a processo criminal
  • Arthur Fernando Ferreira Rodrigues, 27 anos - Respondeu a processo criminal
  • Francinaldo Araújo da Silva, 44 anos

Núcleo de Uberlândia (MG)

Evandro José Pimenta Júnior, Gilberto de Jesus Dias, Giuliano Silva Lopes, José Rodrigo Dama Alves e Raphael Gonzaga Silva

  • Raphael Gonzaga Silva, 27 anos - Tinha passagem pelo sistema prisional - Mandado pendente
  • José Rodrigo Dama Alves, 33 anos - Tinha passagem pelo sistema prisional
  • Gilberto de Jesus Dias, 29 anos - Tinha passagem pelo sistema prisional
  • Evando José Pimenta Júnior, 37 anos
  • Luiz André Felisbino, 44 anos
  • Giuliano Silva Lopes, 32 anos - Respondeu a processo criminal
  • Ricardo Gomes de Freitas, 34 anos

Núcleo de Goiânia (GO)

 

Eduardo Pereira Alves, Isaque Xavier Ribeiro e Zaqueu Xavier Ribeiro

  • Isaque Xavier Ribeiro, 27 anos - Tinha passagem pelo sistema prisional
  • Romerito Araújo Martins, 25 anos - Respondeu a processo criminal
  • Zaqueu Xavier Ribeiro, 40 anos
  • Eduardo Pereira Alves, 42 anos - Morava em Brasília

Os outros mortos

Adriano Garcia, Nunis Azevedo Nascimento e José Filho de Jesus Silva Nepomuceno

  • José Filho de Jesus Silva Nepomuceno, de 27 anos - Morava no Maranhão - Mandado pendente
  • Nunis Azevedo Nascimento, 33 anos - Morava em Porto Velho/RO
  • Gerônimo da Silva Sousa Filho, de 28 anos - Morava em Porto Velho/RO, seu nome estava na primeira lista da polícia - Mandado pendente
  • Adriano Garcia, 47 anos - Único dos suspeitos que morava em Varginha, onde o grupo foi encontrado - Mandado pendente
FONTE/CRÉDITOS: sei.mg.gov.br / Uol

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