Os saques da poupança voltaram a superar os depósitos no mês de agosto, resultando em uma retirada líquida de R$ 10,5 bilhões, conforme dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira (10). O movimento reflete a busca por opções de investimentos com rentabilidade mais atrativa diante dos juros elevados.
Ao longo do mês passado, os brasileiros aplicaram R$ 357,7 bilhões na caderneta, enquanto os resgates alcançaram R$ 368,2 bilhões. No mesmo período, os rendimentos creditados somaram R$ 6,5 bilhões, mantendo o saldo total da aplicação ligeiramente acima de R$ 1 trilhão.
Tendência de retiradas e cenário da Selic
Agosto marcou o terceiro mês consecutivo de saldo negativo para o investimento. No acumulado até o oitavo mês do ano, as retiradas líquidas já somam R$ 57,1 bilhões, mantendo a trajetória de perdas observada nos anos anteriores.
A atratividade da caderneta segue prejudicada pelo patamar da taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 14% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Juros altos favorecem aplicações financeiras alternativas que acompanham o indicador.
Desafios inflacionários e projeções
Entre junho de 2025 e março deste ano, a Selic esteve mantida em 15% ao ano. Embora o Copom tenha chegado a cortar a taxa diante da queda inflacionária, conflitos no Oriente Médio voltaram a pressionar os preços de combustíveis e alimentos, dificultando novas reduções.
A Selic permanece como a principal ferramenta do BC para manter o IPCA dentro da meta de 3%, com margem de tolerância até 4,5%. Em julho, a deflação nos alimentos fez a taxa mensal desacelerar para 0,07%, acumulando 4,44% em 12 meses segundo o IBGE, que divulgará o dado de agosto nesta sexta-feira (11).

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