As monjas de Juiz de Fora conseguiram reconstruir seu projeto de apicultura quatro meses após uma tempestade devastadora ter destruído a estrutura de produção rural do Mosteiro da Santa Cruz, na Zona da Mata mineira. O temporal registrado em fevereiro deste ano fez o rio transbordar e carregar as colmeias às vésperas da colheita, mas a solidariedade regional permitiu a retomada da atividade.
Apoio local e reconstrução da apicultura
Para reerguer a criação de abelhas, as irmãs Raquel, Catarina e Tereza Paula contaram com o auxílio fundamental da Associação de Apicultores de Juiz de Fora e Região (Apijur). Diversos produtores locais se mobilizaram para doar novos enxames, possibilitando a montagem de um novo apiário em uma área segura, distante das margens do rio.
Atualmente com nove colmeias ativas, a expectativa é que o enxame se multiplique rapidamente. Com a expansão do manejo, as religiosas projetam restabelecer o volume habitual de vendas na loja mantida pelo mosteiro no Centro da cidade, garantindo recursos cruciais para o custeio das despesas institucionais.
Trajetória de profissionalização e prêmio
A relação das religiosas com as abelhas teve início ainda na década de 1960. Contudo, foi a partir da parceria com o Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg Senar, em conjunto com o Sindicato Rural, que a produção atingiu altos patamares de eficiência entre 2023 e 2025.
Graças ao acompanhamento especializado do zootecnista Arthur Sodré, as apicultoras aprimoraram a gestão do negócio e as técnicas de manejo, alcançando marcas expressivas:
- Aumento de rendimento: Colheita de quase 200 quilos de mel com apenas dez colmeias no último ano.
- Crescimento financeiro: Dobra no faturamento total obtido com a comercialização dos produtos ao longo de dois anos.
- Reconhecimento oficial: Conquista do prêmio de destaque regional do ATeG entregue em Barbacena.
- Gestão completa: Profissionalização no controle financeiro, precificação e gerenciamento de custos.
Perspectivas para o futuro da produção
O comprometimento e a dedicação técnica demonstrados pelas irmãs foram determinantes para o sucesso do projeto e para superação da tragédia recente. A disciplina na aplicação das rotinas de checagem e alimentação das colmeias reforça a viabilidade do empreendimento no longo prazo.
Com a nova estrutura técnica implementada e o apoio da rede de apicultores regionais, a casa de mel do mosteiro se prepara para reabrir em breve. A resiliência das produtoras serve como modelo de gestão e cooperação para a apicultura em Minas Gerais.

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