Durante encontro com o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, nesta segunda-feira (9), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a importância de Brasil e África do Sul buscarem autonomia e fortalecimento mútuo através da fabricação de equipamentos militares destinados à autodefesa.
Ao recepcionar Ramaphosa no Palácio do Planalto, em Brasília, Lula enfatizou a urgência de preparo: “Se não nos prepararmos na questão de defesa, qualquer dia alguém nos invade. O Brasil possui necessidades semelhantes às da África do Sul. Por isso, devemos unir nosso potencial e explorar o que podemos construir em conjunto.”
Ele destacou a capacidade dos países de produzirem seus próprios armamentos, afirmando: “Não precisamos continuar comprando dos 'Senhores das Armas'. Nós mesmos poderemos produzir. Ninguém nos ajudará, a não ser nós mesmos.”
O chefe de Estado brasileiro defendeu a articulação de uma parceria estratégica entre as duas nações do Sul Global, visando a criação de um mercado significativo para a indústria de defesa.
A fala de Lula ocorreu após a formalização de acordos bilaterais nos setores de turismo, comércio exterior e indústria no Palácio do Planalto. A visita oficial do presidente sul-africano ao Brasil se estende até esta terça-feira (10).
Lula reiterou ainda o caráter pacífico da América do Sul, enfatizando que as tecnologias desenvolvidas na região possuem primariamente aplicações civis.
“Aqui, na América do Sul, nos posicionamos como uma área de paz. Ninguém possui bombas nucleares ou atômicas. Nossos drones são empregados na agricultura, na ciência e tecnologia, e não para fins bélicos”, declarou.
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Aumento do preço do petróleo
O presidente Lula expressou sua “profunda preocupação” com a escalada do conflito no Oriente Médio, que, em sua avaliação, representa uma séria ameaça à paz e à segurança global. Ele reiterou que “o diálogo e a diplomacia são o único caminho viável para construir uma solução duradoura.”
Lula alertou que, devido ao conflito envolvendo o Irã, o preço do petróleo já está em ascensão mundialmente e tende a se elevar ainda mais.
O presidente também salientou os impactos humanitários e econômicos do confronto iniciado em 28 de fevereiro, após ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel ao Irã, que resultaram na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, e de quase duzentas pessoas em Teerã.
“Esses conflitos geram efeitos prejudiciais nas cadeias de energia, insumos e alimentos. Mulheres e crianças, em particular, são as mais vulneráveis e sofrem os impactos mais severos dessas crises”, declarou Lula.
Minerais críticos e terras raras
Em sua declaração à imprensa, o mandatário brasileiro detalhou o potencial do Brasil na exploração de minerais críticos, fundamentais para a atual transição energética e digital.
Lula também comentou com o presidente sul-africano sobre a necessidade de reavaliar a forma como a exploração de recursos naturais é conduzida nos territórios.
“Já alertamos ao mundo que o Brasil não repetirá com as terras raras e os minerais críticos o que aconteceu com o minério de ferro. Vendemos o minério e compramos o produto acabado pagando cem vezes mais caro”, afirmou.
Para o presidente, a solução reside no fortalecimento das cadeias produtivas de mineração de ambos os países, com base no profundo conhecimento de seu potencial mineral.
“Basta! Já levaram toda a nossa prata, todo o nosso ouro, todo o nosso diamante, todo o nosso minério de ferro. O que mais pretendem levar? Quando vamos aprender que Deus nos concedeu toda essa riqueza e nós a entregamos aos outros?”, questionou enfaticamente.
Lula sublinhou que a questão não se resume a uma decisão política, mas à necessidade de aproveitar a exploração de minerais críticos para aprimorar as condições de vida da população.
Debate sobre democracia e ambiente digital
O presidente Lula confirmou sua presença em Barcelona, Espanha, no dia 18 de abril, para a quarta reunião “Em defesa da Democracia”, atendendo ao convite do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez.
“Desejamos aproximar nossos países em temas como a regulação do ambiente digital, inteligência artificial e a valorização de fontes de informação de qualidade, abrangendo tanto políticas internas quanto a articulação para fortalecer essa agenda no cenário multilateral”, detalhou.
Por fim, Lula ressaltou que Brasil e África do Sul compartilham a convicção de que o Sul Global deve possuir uma voz ativa nas principais decisões internacionais.

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