O Brasil bateu recorde de financiamentos de veículos. Em setembro de 2025, o país contabilizou 5,32 milhões de operações acumuladas entre automóveis leves, motos e pesados, o maior volume registrado para o período desde 2011, conforme os dados mais recentes divulgados pela B3.
O crescimento anual ficou em 0,6%, equivalente a 31 mil unidades a mais que no mesmo período de 2024. A preferência dos compradores recai sobre os seminovos: foram 3,39 milhões de unidades financiadas, enquanto os veículos novos somaram 1,93 milhão de operações.
O setor automotivo observou uma mudança no comportamento de compra desde o último trimestre do ano passado: os compradores buscam automóveis de até R$ 50 mil e mais antigos.
Como conseguir taxas menores de financiamento
Para garantir taxas menores, é recomendável simular o financiamento do veículo antes da compra para verificar o Custo Efetivo Total (CET), que inclui encargos e impostos. A Associação Brasileira de Educadores Financeiros explica que o CET deve ser o ponto de partida de análise antes de efetivar a compra. Reduzir o prazo de pagamento de 24 para 20 meses é outra estratégia que pode ajudar a diminuir os juros totais, sem tornar a parcela proibitiva.
Quem nunca financiou um veículo pode encontrar dificuldade de aprovação, mesmo com renda adequada. A Serasa Experian alerta que os bancos avaliam o chamado score de crédito, uma espécie de “nota” que mostra se a pessoa é boa pagadora. Ela é calculada com base no histórico de pagamentos de contas, empréstimos e uso de cartão de crédito. Por isso, iniciantes podem ter dificuldade.
Dessa forma, a orientação é começar a movimentar o CPF antes de buscar o financiamento. Abrir conta-corrente, parcelar compras sem juros e incluir o documento em notas fiscais ajudam a “construir” um bom histórico.
Caso a pessoa interessada seja casada, também é recomendável simular o financiamento no CPF de ambos os cônjuges, porque as taxas podem variar conforme o perfil individual.
De acordo com as regras do setor financeiro, a idade mínima para aprovação facilitada em financiamentos é 21 anos. Abaixo dessa faixa etária, a partir dos 18, as exigências são mais rígidas: é indicado já ter a CNH e 50% do dinheiro da entrada.
Para iniciantes sem histórico de crédito, os percentuais típicos de entrada ficam justamente nessa casa, enquanto consumidores com score estabelecido conseguem condições melhores, entre 20% e 40%, dependendo do ano do automóvel.
Cartão internacional facilita o acesso a financiamentos
Uma dúvida comum sobre financiamentos é se o uso do cartão internacional facilita a obtenção de crédito. Embora ofereçam outras vantagens, como em compras no exterior, não há uma modalidade específica para financiar bens. Na prática, o cartão internacional funciona como o nacional em compras realizadas dentro do território brasileiro, sem diferenciação de taxas ou benefícios.
Recursos mantidos após abrir uma conta internacional em dólar ou euro também não alteram os custos de financiamento nacional. Há concessionárias que aceitam cartão de crédito para entrada ou valor total, mas com parcelamento máximo de 12 a 24 vezes e taxas de rotativo que chegam a 400% ao ano em caso de inadimplência.
O Banco Central não estabelece regras específicas sobre uso de cartão internacional versus nacional para compras domésticas. A Lei 14.690/2024 limitou os juros do rotativo, mas não diferencia tipos de cartão.
Valor de mercado do veículo pode ser trunfo na negociação
Optar por um veículo básico com valor de mercado abaixo da Tabela FIPE, indicador econômico mensal que define a média de preços de veículos no mercado brasileiro, facilita a aprovação.
Levar propostas da concessionária aos gerentes do banco onde o comprador mantém conta pode render melhores condições de financiamento, como sugere a Abefin. Como conhecem o histórico financeiro do cliente, os gerentes podem oferecer taxas menores para não perder o negócio, além da possibilidade de remover itens como a taxa de abertura de crédito da negociação.
Para avaliar se a oferta está dentro da média do mercado, o cliente pode consultar o material completo que o Banco Central disponibiliza com dados abertos sobre taxas médias de juros das operações de crédito.

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