A websérie “A Peça da Semana” destaca nesta segunda-feira, 1º, uma tela da pinacoteca do Museu Mariano Procópio. Trata-se de uma representação de natureza-morta com goiabas e pitangas retratadas. O autor da obra é Estevão Roberto da Silva (1844-1891), nascido no Rio de Janeiro e que foi aluno da Academia Imperial de Belas Artes (AIBA). Estevão iniciou seus estudos em 1864, tendo como professores de pintura Victor Meirelles, Jules Le Chevrel e Agostinho da Motta. Foi professor de pintura no Liceu de Artes e Ofícios até a sua morte. Fez parte do Grupo Grimm do qual faziam parte os vários pintores, dentre eles Antônio Parreiras, Domingos Vasquez e Hipólito Caron (que viveu em Juiz de Fora). Detalhes da publicação estarão disponíveis no Instagram @museumarianoprocopio e no Facebook @museu.marianoprocopio, na segunda-feira, dia 1º de novembro.
Estevão é o primeiro negro formado na AIBA que obteve destaque nas artes. Sua especialidade na pintura era a natureza-morta. Gostava de pintar frutas e há trabalhos dele com temas religiosos, alegóricos e retratos. Em 1889, na Exposição Universal de Paris, teve 27 obras expostas no Pavilhão do Brasil, em sua maioria frutas retratadas e algumas natureza-morta.
A vida de Estevão Silva foi marcada por luta. Antônio Parreiras, em seu livro " História de um Pintor Contada por ele mesmo ", narrou um episódio em um evento de premiação que contava com a presença de Dom Pedro II. Era quase unânime que a obra premiada seria de Estevão. No entanto, isso não aconteceu e ele se sentiu prejudicado por não ter conseguido o primeiro prêmio. Chamado depois de toda premiação, Estevão teria dito "Recuso!". Tal ato foi considerado desacato, o que levou o Comitê Disciplinar a suspendê-lo por um ano.
As palavras do crítico de arte Gonzaga Duque no livro “Contemporâneos de 1919” fala o seguinte de Estevão: "Possuía muita força de vontade, muita energia de ânimo para cingir-se ao egoísmo, para viver só, reclusamente, absorventemente consigo próprio. Foi com essa força, energia, tenacidade de aço, persistência, teimosia de trabalhador, e visionário, que chegou a fazer-se artista, porque teve que lutar corajosamente contra os estúpidos preconceitos de sua cor e contra o abandono em que se achava, paupérrimo, desprotegido, isolado, sem meio, sem sociedade, sem esperanças serenas abertas no claro conforto de um lar abundante. E, fez-se, vencendo dificuldades esmagadoras, que seriam bastantes para abater outro espírito, embora não tivesse a resistência heróica do seu."
FONTE/CRÉDITOS: PJF