O aumento da presença de partidos de direita no Congresso Nacional e nos governos estaduais nas eleições de 2026 reflete um recado direto do eleitor sobre preocupações do dia a dia. A avaliação é do economista e professor de ciência política da Universidade de Brasília (UnB), Jeferson Ramos dos Santos, em entrevista à Rádio Nacional.
Segundo o especialista, a preferência por senadores, deputados e governadores mais alinhados à direita ocorreu devido ao foco em pautas locais. Temas como segurança pública, custo de vida, família e valores morais dominaram os debates regionais, mas acabaram não recebendo a atenção adequada do governo federal durante o mandato.
Mudanças na relação com o STF
Embora os desgastes recentes no Supremo Tribunal Federal (STF) tenham impactado a imagem da Corte na imprensa, Ramos dos Santos avalia que o tema teve peso secundário na decisão do voto popular, uma vez que ministros não disputam eleições diretamente.
Ainda assim, o professor destaca que a nova maioria conservadora no Senado promoverá fortes discussões institucionais. Entre as alterações projetadas para os próximos quatro anos estão a revisão do poder monocrático dos ministros e a possível fixação de mandatos para a Suprema Corte.
Incertezas sobre o fim da escala 6x1
Na pauta trabalhista, o projeto sobre o fim da escala 6x1, pautado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pode enfrentar resistência e lentidão. Com a nova composição do Poder Legislativo, a tendência é que o ritmo das apreciações mude sensivelmente.
Diante do novo cenário político e do reposicionamento das bancadas partidárias, Ramos dos Santos prevê um adiamento nas votações. Para o analista, é natural que propostas trabalhistas de maior impacto levem mais tempo para chegar ao plenário em momentos de reorganização de forças.
Disputa presidencial aberta
Paralelamente, a corrida pela Presidência da República caminha para o segundo turno com a menor diferença histórica na primeira etapa. Os candidatos Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) estão separados por apenas 1,87 ponto percentual — cerca de 2,22 milhões de votos de vantagem para Flávio.
O professor da UnB ressalta que a eleição de 25 de outubro continua totalmente aberta. Com recorde de abstenções e dezenas de milhões de eleitores indecisos ou ausentes, a propaganda eleitoral no rádio e na televisão, que recomeça nesta sexta-feira (9), será decisiva para o resultado final.
Impacto no alinhamento das pautas
Por fim, a definição do novo presidente vai ditar a velocidade e o tom das matérias na Câmara e no Senado a partir de 2027. Caso a vitória seja da oposição, a agenda legislativa focará intensamente em segurança e valores, enquanto a reeleição da situação pode reequilibrar as forças na tramitação dos projetos.
*Com informações da repórter Priscilla Mazenotti, da Rádio Nacional/EBC.

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