A gigante de tecnologia Meta recusou a solicitação do Ministério da Justiça e Segurança Pública para estruturar um canal direto focado no combate à violência contra jornalistas nas redes sociais. A medida, proposta pelo Observatório da Violência Contra Jornalistas e Comunicadores Sociais, visava agilizar o atendimento a casos urgentes de ameaças, bloqueios arbitrários e ataques digitais enfrentados por comunicadores em todo o país.
Em resposta oficial ao órgão federal, a proprietária do Instagram, Facebook e WhatsApp justificou a negativa apontando complexidade técnica, jurídica e operacional. Segundo o observatório, a empresa sustentou que atender ao pedido significaria assumir novos compromissos regulatórios e argumentou que os mecanismos de denúncia já oferecidos aos usuários em geral são suficientes.
Procurada para se manifestar sobre a decisão de recusar o pedido do governo brasileiro, a assessoria de imprensa da Meta declarou que não vai comentar o assunto.
Aumento dos ataques no ambiente digital
A negativa da plataforma ocorre em um cenário de alerta para a imprensa. Dados das secretarias de Justiça (Senajus), Direitos Digitais (Sedigi) e Políticas Digitais (Spdigi) revelam que a Coalizão em Defesa do Jornalismo contabilizou 14.182 agressões virtuais contra comunicadores e veículos apenas no primeiro turno eleitoral.
Paralelamente, um levantamento do grupo CTRL+Z catalogou 1.121 episódios de restrições a conteúdos e perfis políticos, com sanções e suspensões aplicadas sem justificativas detalhadas por parte das plataformas.
Para as secretarias do Ministério da Justiça, essa conjuntura afeta diretamente o debate público e a liberdade de expressão. O ministério enfatizou que ferramentas gerais de suporte ou parcerias temporárias com a Justiça Eleitoral não suprem a necessidade de um protocolo permanente para situações extremas.
A pasta reforçou que ofensas e limitações impostas ao trabalho da imprensa ultrapassam prejuízos individuais, representando um risco direto ao direito coletivo da sociedade de acessar informações de interesse público.

RCWTV
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