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Mais de 4 mil casos de abuso infantil acendem alerta em Minas

Levantamento do MPMG revela estupros, gravidez precoce e maioria dos crimes dentro do próprio círculo familiar

Henrique Salvato
Por Henrique Salvato
Mais de 4 mil casos de abuso infantil acendem alerta em Minas
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Mais de 4 mil casos de estupro de vulnerável foram registrados em Minas Gerais em apenas um ano, acendendo um alerta grave sobre a violência sexual contra crianças e adolescentes. Os dados são do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e mostram que a maioria dos crimes acontece dentro do próprio ambiente familiar ou de confiança da vítima.

Números expõem dimensão do problema

Entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, foram contabilizadas 4.101 ocorrências de estupro de vulnerável envolvendo vítimas com menos de 14 anos.

As ocorrências foram registradas em 611 municípios, o que representa mais de 70% do território mineiro.

A concentração é maior na Região Metropolitana de Belo Horizonte, seguida por regiões como Triângulo Mineiro, Sul do estado e Zona da Mata. Entre as cidades com mais registros estão Belo Horizonte, Contagem, Uberaba e Uberlândia.

Abuso dentro de casa é maioria

Segundo o levantamento, grande parte dos crimes é cometida por pessoas próximas — familiares ou indivíduos de confiança da vítima.

Esse cenário reforça um padrão preocupante: o abuso ocorre justamente em ambientes que deveriam garantir proteção e segurança. Em outros casos, há registros de vínculos indevidos apresentados como “relacionamentos”, o que também configura crime quando envolve menores de 14 anos.

Subnotificação agrava cenário

Apesar dos números elevados, o próprio MPMG alerta que os dados representam apenas parte da realidade.

Muitos casos não são denunciados por medo, vergonha ou pressão familiar, além de ameaças feitas pelos agressores. A subnotificação também atinge meninos, muitas vezes por barreiras culturais e preconceitos.

Estratégias e ações de combate

O Ministério Público informou que está intensificando ações para combater a violência sexual infantil. Os dados foram compartilhados com redes de proteção em todo o estado para planejamento de medidas preventivas.

Entre as iniciativas está a “Caravana Proteger”, que será realizada em maio, durante o chamado Maio Laranja, com foco na capacitação de profissionais e conselheiros tutelares em várias regiões de Minas.

Sinais de alerta e orientação

Como muitas vítimas não conseguem relatar o abuso, especialistas orientam atenção a mudanças de comportamento, como:

  • Isolamento e tristeza

  • Medo excessivo

  • Queda no rendimento escolar

  • Distúrbios de sono ou alimentação

  • Dores ou ferimentos sem explicação

Diante de qualquer suspeita, a recomendação é procurar imediatamente órgãos como Conselho Tutelar, Polícia ou Ministério Público.

A orientação é evitar abordagens inadequadas com a vítima e garantir que o atendimento seja feito por profissionais capacitados, evitando a revitimização.

Informação e diálogo são formas de prevenção

Para o MPMG, a prevenção passa por informação e diálogo dentro de casa e nas escolas. Criar um ambiente de confiança é fundamental para que crianças e adolescentes se sintam seguros para denunciar qualquer situação de abuso.

O alerta é direto: o problema é amplo, silencioso e exige reação rápida da sociedade e das instituições.

 

 
 
 
 

 

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Henrique Salvato

Repórter na RCWTV – Rede de Canais Web, com foco na produção de conteúdo acessível, imparcial e de interesse público. Atua com responsabilidade e linguagem clara, aproximando a informação do leitor

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