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Quarta-feira, 29 de Julho 2026
Ciência e Tecnologia

Estudo com mais de 5,5 mil pessoas indica que monitorar os níveis do hormônio e controlar o peso são medidas essenciais para evitar mortes prematuras

Estudo com mais de 5,5 mil pessoas indica que monitorar os níveis do hormônio e controlar o peso são medidas essenciais para evitar mortes prematuras

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Estudo com mais de 5,5 mil pessoas indica que monitorar os níveis do hormônio e controlar o peso são medidas essenciais para evitar mortes prematuras
Ter apenas obesidade abdominal aumenta o risco de morte em 47% (imagem: Stomach Stock photos/Vecteezy)
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Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – Um estudo envolvendo mais de 5,5 mil voluntários acima de 50 anos acendeu um alerta: pessoas que têm obesidade abdominal e deficiência de vitamina D apresentam um risco de morte 123% maior que aquelas sem as duas condições. Os resultados do trabalho, publicados em maio na revista Diabetes, Obesity and Metabolism, indicam que, embora cada condição já seja perigosa isoladamente, juntas elas multiplicam o risco de mortalidade.

“A obesidade abdominal é um conhecido fator de risco por estar associado à inflamação e a problemas metabólicos. Já a vitamina D é um hormônio que atua em vários órgãos, e sua deficiência compromete diversas funções do corpo. Quando essas duas condições aparecem juntas, uma potencializa os efeitos da outra, elevando ainda mais o risco de morte”, explica Tiago Silva Alexandre, professor do Departamento de Gerontologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e coordenador da pesquisa. “Por isso, acompanhar os níveis de vitamina D e tratar o excesso de gordura abdominal são medidas essenciais para evitar mortes prematuras, principalmente após os 50 anos”, acrescenta.

Realizada em colaboração com cientistas da University College London (Reino Unido) e financiada pela FAPESP, a pesquisa acompanhou 5.520 pessoas com 50 anos ou mais por seis anos. Os participantes integram o English Longitudinal Study of Ageing (ELSA), um dos maiores estudos de envelhecimento do mundo.

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Os dados coletados mostram que a deficiência de vitamina D (níveis abaixo de 30 nanomoles por litro de sangue) sozinha representa um risco maior do que a obesidade abdominal isolada – definida como circunferência abdominal maior que 102 centímetros para homens e 88 centímetros para mulheres. Enquanto ter apenas obesidade abdominal aumenta o risco de morte em 47%, a deficiência de vitamina D isolada pode elevar esse risco em até 81%. O estudo mostrou que, quando as duas condições aparecem juntas, o risco de morte mais que dobra em comparação àquelas pessoas que não apresentam nem obesidade abdominal e nem deficiência de vitamina D.

De acordo com Alexandre, as duas condições criam um ciclo vicioso. Isso porque a gordura abdominal “sequestra” a vitamina D circulante e a armazena nos adipócitos (células de gordura), impedindo que ela chegue ao sangue. “Isso significa que, embora o corpo possa ter a vitamina guardada na gordura, ela não está livre no sangue para realizar suas funções vitais em outros órgãos e sistemas”, diz.

Outro fator importante é que pessoas com obesidade apresentam menor expressão de enzimas necessárias ao metabolismo da vitamina, reduzindo ainda mais sua disponibilidade. “A obesidade abdominal reduz a vitamina D circulante e essa deficiência, por sua vez, prejudica o sistema imunológico, agravando a inflamação crônica já causada pelo excesso de gordura e elevando drasticamente o risco de mortalidade”, explica Alexandre à Agência FAPESP.

Adiciona-se ainda a esse quadro o fato de que o envelhecimento é marcado naturalmente por um processo conhecido como inflammaging, um estado de inflamação crônica de baixo grau. “Em condições normais, a vitamina D atua como reguladora do sistema imunológico, impedindo que a inflamação se descontrole. Quando seus níveis estão baixos e há excesso de gordura abdominal, instala-se um ambiente sistêmico desfavorável que acelera doenças cardiovasculares, metabólicas e a perda muscular”, ressalta.

Efeito em cascata

O estudo agora publicado é o último de uma série sobre o papel da vitamina D no envelhecimento. “Em trabalhos anteriores, identificamos um efeito em cascata. A deficiência de vitamina D acarreta perda de força, que implica redução da velocidade de caminhada, gerando perda de autonomia e maior dependência nas atividades diárias”, conta Alexandre (leia mais em: agencia.fapesp.br/55593).

Além disso, outro estudo do grupo mostrou que a deficiência de vitamina D também aumenta o risco de declínio cognitivo.

“A vitamina D é um hormônio com diversas funções. Ela participa da regulação da pressão arterial, da frequência cardíaca, do sistema nervoso central, do sistema imunológico e do sistema endócrino. Por isso, quando seus níveis estão baixos, diversas funções essenciais do organismo ficam comprometidas”, diz.

O artigo Does the combination of abdominal obesity and vitamin D deficiency increase the risk of death in individuals aged 50 or older? Evidence from the ELSA study pode ser lido em: https://dom-pubs.pericles-prod.literatumonline.com/doi/10.1111/dom.70839.
 

FONTE/CRÉDITOS: Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP –

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