A qualidade da educação é a principal prioridade para pelo menos 25% dos alunos do ensino médio brasileiro em relação aos mandatos que se iniciam em 2027. Para esse público, o sucesso do aprendizado está diretamente atrelado à performance e à dedicação do corpo docente.
O levantamento ouviu 5.296 estudantes do ensino fundamental 2 e médio em todas as regiões do país. Entre as demandas prioritárias, os jovens destacam a necessidade de aulas mais dinâmicas, maior capacitação dos professores e a redução do absenteísmo docente.
A pesquisa, intitulada O que os estudantes pensam sobre a Educação?, foi uma iniciativa conjunta de diversas fundações e institutos, como Itaú, Lemann e Todos Pela Educação, com execução do DataFolha.
O papel dos professores
O estudo revela uma correlação clara entre a didática dos docentes e a satisfação escolar. Entre os alunos que consideram as explicações dos professores satisfatórias, 75% avaliam sua instituição como boa ou ótima. Esse índice despenca para 48% quando a percepção sobre a clareza das aulas é negativa.
Gabriel Corrêa, do Todos Pela Educação, ressalta que o período de transição política é uma oportunidade para repactuar compromissos. Segundo ele, o país precisa elevar o ritmo de crescimento dos indicadores educacionais com foco absoluto na aprendizagem.
Ensino técnico e tecnologia
Embora mais de 90% dos entrevistados considerem essencial ter acesso a cursos profissionalizantes, o Censo Escolar de 2025 aponta que apenas 20% dos alunos do ensino médio estão inseridos nessa modalidade.
No campo digital, 70% dos estudantes relatam o uso de tecnologia em sala semanalmente, e 71% já utilizam inteligência artificial nos estudos. Contudo, persiste uma lacuna: um terço dos alunos acredita que os professores não estão devidamente preparados para integrar essas ferramentas ao cotidiano pedagógico.
Educação em tempo integral
O modelo de tempo integral apresenta maior índice de aprovação, com 74% de avaliações positivas, contra 68% do ensino regular. Os benefícios citados incluem maior suporte para o Enem e acesso a atividades esportivas e culturais.
Patricia Mota Guedes, do Itaú Social, reforça que ouvir os jovens é vital. Segundo ela, as demandas por tecnologia, ensino técnico e tempo integral enviam um sinal claro para que as políticas públicas sejam mais conectadas à realidade das escolas brasileiras.

RCWTV
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