Durante um debate na Comissão de Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados, especialistas apresentaram a defesa da unificação dos órgãos de meteorologia como estratégia fundamental para lidar com os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
O professor Pedro Leite da Silva Dias, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo, sugeriu a formação de uma entidade dedicada a coordenar as atividades meteorológicas em território nacional.
Atualmente, além de entidades federais, previsões do tempo e do clima são realizadas também por instituições municipais e empresas privadas.
Luiz André Rodrigues dos Santos, coordenador-geral do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), informou que o instituto tem fortalecido a parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
“Procuramos atuar em conjunto com as diversas entidades que realizam meteorologia no país. No ano passado, estabelecemos um acordo de cooperação técnica com o Inpe, o que nos permite compartilhar informações sobre modelagem, satélites e dados meteorológicos, resultando em dados mais confiáveis para o país”, declarou.
Ele acrescentou que o Inmet também está em processo de formalização de um acordo de cooperação com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
Política nacional de meteorologia
A deputada Erika Kokay (PT-DF), responsável por solicitar o debate, anunciou que trabalhará pela criação de uma política nacional de meteorologia, com o objetivo de integrar os órgãos do setor.
“Estamos abertos a receber contribuições dos órgãos, do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério da Agricultura, do Inpe, do Inmet e da comunidade acadêmica. Nossa intenção é desenvolver uma proposta inicial e, posteriormente, realizar uma nova audiência pública para refinar o texto antes de protocolá-lo na Câmara dos Deputados”, explicou.
Cooperação com o setor privado
O professor Pedro Leite também se manifestou a favor da expansão da colaboração com o setor privado, ressaltando a importância de o Estado manter a liderança.
Ele observou que uma parcela significativa dos profissionais formados em meteorologia, entre 60% e 70%, opta por atuar em empresas privadas, um cenário que se inverteu desde o início dos anos 2000, quando a maioria seguia para o setor público e acadêmico.
Nas empresas privadas, os meteorologistas aplicam o conhecimento técnico a setores econômicos como agricultura e mercado financeiro.
Apesar do crescimento da participação da iniciativa privada, o professor enfatizou o papel insubstituível do Inmet na garantia da qualidade dos dados meteorológicos.
“Atualmente, há um volume maior de dados coletados pela iniciativa privada, mas enfrentamos desafios no controle de qualidade. O Inmet desempenha um papel crucial nesse aspecto. A integração com o setor privado deve ocorrer sem que o Estado perca sua liderança”, afirmou.
O coordenador do Inmet mencionou que o órgão também busca parcerias com empresas privadas e que está estudando, em conjunto com o Ministério da Agricultura, maneiras de incorporar dados provenientes dessas empresas. Esses dados, que o instituto ainda não acessa, podem já superar a capacidade da rede governamental em termos de volume.

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