A família extensa pode passar a contar com suporte estatal oficial por meio do Projeto de Lei 3089/26, que tramita atualmente na Câmara dos Deputados para estabelecer o Programa de Cuidados na Família Extensa.
O objetivo principal é assegurar que crianças e adolescentes retirados do convívio parental encontrem abrigo seguro junto a parentes próximos, preservando laços de afetividade.
O conceito abrange parentes com forte proximidade e laços afetivos, a exemplo de avós, tios, primos maiores de idade e irmãos que já atingiram a maioridade.
Conforme o texto da proposta, os núcleos familiares acolhedores receberão suporte técnico especializado, ajuda financeira e até mesmo isenção do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU).
Em contrapartida, esses responsáveis assumem deveres diretos perante o menor e os gestores da política pública implementada.
A autora da iniciativa, deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), defende que a medida reduz traumas e otimiza gastos públicos em comparação aos abrigos institucionais.
Trata-se de uma política humanizada e totalmente alinhada às diretrizes de proteção integral à infância e à adolescência.
Acompanhamento técnico
Para integrar a iniciativa, os parentes passarão por avaliação de uma equipe técnica multidisciplinar.
Esse grupo também fará o monitoramento contínuo do vínculo entre o menor, seus parentes ampliados e a família de origem.
Cada equipe mínima deverá contar com dois profissionais habilitados para atender até 20 famílias nucleares e 20 extensas.
Deveres dos cuidadores
As pessoas que ingressarem no programa assumem obrigações fundamentais.
Entre elas estão o fornecimento de relatórios periódicos sobre o bem-estar do menor e a cooperação ativa para o eventual retorno à família natural.
Além disso, o grupo familiar deve comunicar imediatamente caso perca a capacidade de manter o acolhimento, garantindo a proteção da criança até novas providências.
Auxílio financeiro e regras
O texto autoriza municípios e o Distrito Federal a repassarem uma ajuda de custo proporcional ao total de menores sob tutela.
No cenário de crianças com deficiência ou demandas médicas específicas, o valor do benefício poderá sofrer acréscimo de pelo menos um terço.
A legislação também viabiliza o perdão do IPTU para os cuidadores cadastrados.
Para custear as ações, o projeto permite o emprego de verbas federais, estaduais e municipais, incluindo recursos de fundos especiais.
Tramitação no congresso
A proposta seguirá para apreciação conclusiva nas comissões temáticas da Câmara dos Deputados.
O texto passará pelos colegiados de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para entrar em vigor, o texto precisará ser avalizado tanto pela Câmara quanto pelo Senado Federal.
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