Na última terça-feira, 26 de maio de 2026, o Ministério do Trabalho e Emprego iniciou as fiscalizações relacionadas ao cumprimento da atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a exigir das empresas o gerenciamento formal dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
A medida representa um marco na governança organizacional e na gestão da saúde mental corporativa, tornando obrigatória a identificação, avaliação e acompanhamento de fatores ligados à organização do trabalho que possam comprometer a saúde emocional e psicológica dos trabalhadores.
Entre os principais riscos psicossociais estão excesso de cobrança, sobrecarga de trabalho, pressão constante, falhas de comunicação, conflitos interpessoais, liderança tóxica e casos de assédio moral e sexual.
Com a atualização da NR-1, as empresas passam a estar sujeitas à fiscalização, autuação e multa caso não consigam comprovar que iniciaram a gestão desses riscos de forma técnica, estruturada e contínua.
NÚMEROS ASSUSTAM
Segundo dados da Previdência Social, o Brasil já registra mais de 576 mil afastamentos do trabalho por transtornos mentais ao ano, gerando impactos bilionários para trabalhadores, empresas e cofres públicos.
Para a jornalista e consultora em saúde organizacional Carol Ramos, a atualização da NR-1 expõe um problema que deixou de ser apenas humano e passou a representar também um impacto econômico e produtivo para o país.
“A NR-1 não veio apenas como mais uma norma técnica, nem para punir empresários. Ela apenas veio expor um problema que já se tornou um ciclo de adoecimento humano e econômico no Brasil. A saúde mental deixou de ser apenas uma pauta humana. Agora ela também é uma responsabilidade organizacional”, afirma.
GESTÃO ESTRATÉGICA
Carol destaca que a norma não exige perfeição imediata das empresas, mas sim o início de um processo de gestão estruturada dos riscos psicossociais.
“As empresas precisam demonstrar que começaram a olhar para esses riscos de forma técnica e contínua. A NR-1 não é apenas sobre um documento. Ela é sobre gestão organizacional, prevenção e sustentabilidade humana dentro das empresas”, completa.
Especialistas apontam que organizações que iniciarem esse processo de forma estratégica poderão reduzir turnover, absenteísmo e afastamentos, além de fortalecer liderança, cultura interna e produtividade coletiva.
Mais informações:
@carolramosconsultoria
Comentários: