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Domingo, 31 de Maio 2026
SAÚDE MENTAL

Não é sobre você: um sofrimento real

Mônica Reis
Por Mônica Reis
Não é sobre você: um sofrimento real
Pixabay
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Talvez os reality shows ou os likes e compartilhamentos das redes sociais nos fizeram acreditar que a vitrine exposta da nossa vida seja realmente algo que as pessoas estejam muito interessadas em acompanhar. E tudo bem. Não tem nada de errado em postar, curtir, compartilhar, comentar ou ter ideias semelhantes as pessoas nas redes sociais ou mesmo em se inspirar no conteúdo produzido por influenciadores.

No entanto, a vida está acontecendo para todo mundo ao mesmo tempo. Muitas pessoas ajudam ou apoiam você quando podem, contudo, cada pessoa canega as suas próprias dores, dificuldades e demandas. No fundo, elas estão apenas vivendo as suas vidas. Não leve tudo para o lado pessoal: não é sobre você.

O óbvio precisa ser enfatizado. Não só dito, mas também repetido quantas vezes forem necessárias. As pessoas estão interessadas em suas próprias vidas, ninguém está ocupado com demandas que não são suas. Não sei se isso lhe gera alívio ou ao contrário, lhe deixa furioso. O fato é que: estamos todos ocupados com as nossas próprias demandas. Talvez, com sorte, você tenha algum amigo ou familiar que realmente se importe contigo e se interesse por você, no entanto, provavelmente, essa pessoa não vai acompanhar a sua vida, ela já tem a própria vida para dar conta.

Você já teve a experiência de começar a acreditar que alguém estava querendo lhe dizer algo, mas não disse? Ou fez algum comentário indireto para você? Se você já passou pela rua e ouviu alguém dizendo algo que parecia ser uma indireta para você, mas a pessoa não lhe dirigiu a palavra, preste muita atenção: provavelmente não é sobre você!

Pode parecer que não, mas muitas histórias se repetem. Muito comum que as pessoas vivam experiências semelhantes. Ao falar sobre as nossas próprias experiências podemos, inclusive, encontrar apoio no outro e até mesmo acontecer alguma identificação. No entanto, todos os dias as pessoas vivem suas vidas, suas rotinas, trabalham, cuidam de suas famílias e a maioria delas não se interessa por pessoas comuns.

Dito de outra maneira, a menos que você seja uma celebridade, um influencer, uma pessoa famosa ou tenha feito realmente uma grande contribuição para a humanidade ou em alguma área do conhecimento com o seu trabalho ou com a sua atitude, a maioria das pessoas não se importa muito com a sua rotina, com as suas escolhas ou com as suas atitudes.

Então, se você ouvir alguém contando um caso muito semelhante à sua história, fique em paz. Aquela pessoa está falando dela mesma, é sobre ela. Se essa pessoa não te conhece, nem sabe nada a seu respeito ela está falando dela mesmo e não de você. Quando estamos em sofrimento mental é comum que tenhamos ideias muito autocentradas.

Você pode ter a tendência a acreditar que alguém está lhe dizendo algo, mas que no fundo no fundo, essa pessoa queria mesmo era lhe dizer uma outra coisa. Ou que todos estão sabendo algum segredo seu, algo que você se envergonharia de falar, no entanto, isso não é verdade. Algumas vezes aparecem ideias semelhantes a ideias persecutórias. Cuidado. Se você ou alguém próximo a você já viveu isso ou está passando por isso, calma. Muita calma.

Na dúvida, entre o que está acontecendo e como você interpreta o que está acontecendo, fique com a realidade dos fatos. Escolha sempre a realidade do que está acontecendo, os fatos, não a sua interpretação sobre eles. Nunca esqueça de algo muito importante: a realidade é que a maioria das pessoas está tentando administrar a própria vida.

Você já ouviu alguma história do tipo: ah, só porque fulano foi ao jogo de futebol, o time dele perdeu?! Claro que isso acontece geralmente como uma brincadeira, para atribuir o mau desempenho do time a algum torcedor, insinuando um rótulo para o torcedor de "azarento". No entanto, algumas pessoas passam a realmente acreditar em ideias semelhantes a essa.

Por exemplo, algumas pessoas podem acreditar que se alguém (artista, apresentador, ator de novelas ou seriados) de algum canal da televisão ou algum influenciador em suas redes sociais, que está abordando algum assunto, isso pode ser algum recado ou coisa semelhante. Essas pessoas podem acreditar firmemente que aquele conteúdo tem relação com elas próprias.

Ou ainda, que as coisas aleatórias que não têm nenhuma relação direta com elas mesmas, estão acontecendo por causa de algo que elas tenham feito ou dito, mesmo que não existem evidências que comprovem a sua ideia. Isso gera um sofrimento enorme, tanto para elas, quanto para as pessoas a sua volta. Isso pode ser entendido em algumas circunstâncias como uma distorção cognitiva e classificamos esse tipo de distorção como personificação. Você atribui a si mesmo a responsabilidade ou culpa por coisas que não tem controle ou que não são de fato, sua responsabilidade.

Então, se isso já aconteceu com alguém que você conhece, ou se está acontecendo neste momento, calma. Uma boa dose de paciência é importante. Acolha, sem julgamentos. Porém, em alguns casos, a busca por ajuda médica ou terapêutica será fundamental.

FONTE/CRÉDITOS: Autora: Mônica Reis é mãe de três garotos lindos de viver. Uma pessoa curiosa que gosta de conhecer novos lugares e de ler que é outra forma de viajar. É formada em psicologia e atua no âmbito clínico atendendo jovens e adultos. Localização: Barra d
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Mônica Reis

Publicado por:

Mônica Reis

Repórter na RCWTV – Rede de Canais Web, com foco na produção de conteúdo acessível, imparcial e de interesse público. Atua com responsabilidade e linguagem clara, aproximando a informação do leitor. Mônica Reis é mãe de três garotos lindos de viver....

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