Na tarde de quinta-feira, 17, o secretário de saúde, Ivan Chebli, e membros do comitê técnico da saúde da população negra e integrantes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Vila Olavo Costa, Furtado de Menezes e Vila Ideal, se reuniram para lançamento da política de promoção à saúde negra.
Durante o evento, realizado no auditório do Núcleo Travessia, no bairro Vila Olavo Costa, os integrantes debateram as questões histórico-sociais sobre a marginalização da população negra, dificultando o acesso à saúde. As dificuldades de implementação da política por decorrência da pandemia também foi alvo de debate.
O objetivo da política de saúde integral da população negra é inicialmente levantar um diagnóstico da realidade de cada comunidade, e posteriormente promover intervenções para agilizar o acesso à saúde da população negra. Este levantamento é realizado pela preparação da equipe de cada UBS para aplicação dos questionários à população. O projeto-piloto vai ser realizado nas áreas do Furtado de Menezes, Vila Ideal e Vila Olavo Costa, e posteriormente desenvolvido para toda rede de saúde do município.
No decorrer do evento, Ivan ressaltou a universalização que o Sistema Único de Saúde (SUS) proporciona à população e destacou que a desigualdade racial e o racismo institucional dificultam o acesso da população negra aos atendimentos. E que, atráves do SUS, podemos minimizar os impactos da discriminação sofrido pela população negra.
O secretário, que foi fundador da política voltada à saúde da população negra no município em 2011, comentou sobre as dificuldades de implementação da política e os apoios para este marco histórico na saúde do município. “Essa política visa a equidade, amparar quem está mais exposto a risco de adoecer e vir a óbito. Já foi tentado a concretização desta política desde 2011. Agora, estamos decididos a implantar a política, com apoio de toda a sociedade civil, das estruturas governamentais presentes no território, através de ações de promoção à saúde, de combate às doenças e o racismo institucional e estrutural, dando condições mais dignas à saúde integral da população negra”.
A integrante do comitê técnico da saúde da população negra, Adélia Cunha, ressaltou a importância deste trabalho. “O nosso ponto inicial é trabalhar essa nova política voltada às comunidades negras, que ainda não foi implementada nas UBSs. Esta intervenção nasce na necessidade de equidade dos negros, por consequencia do rascimo ainda existente na sociedade. Nosso primeiro foco é mobilizar, sensibilizar as pessoas e os equipamentos governamentais presentes no território, da condição que o negro tem de saúde, ou seja, como o negro teve o processo de exclusão do sistema educacional, do lazer, da cultura e do emprego, estes fatores impactam na saude do negro”. Adélia destaca, ainda, a necessidade da junção dos segmentos para que essa política seja efetivada no território.
Na reunião, tivemos a presença de membros da Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), do Centro de Referência em Assistência Social (Cras) Vila Olavo Costa e do Secretário Executivo do Conselho Municipal de Saúde, Jorge Gonçalves Ramos.
