Com o objetivo de debater uma mobilidade mais sustentável para o município de Juiz de Fora, a Comissão de Urbanismo, Transporte, Trânsito, Meio Ambiente e Acessibilidade da Câmara Municipal de Juiz de Fora recebeu, nesta quinta-feira (27), o engenheiro e mestre em transportes José Ricardo Motta Daibert para uma palestra, com o tema “A mobilidade urbana sustentável na nova realidade: desafios e oportunidades para Juiz de Fora”.
O evento on-line foi organizado em comemoração ao Maio Amarelo, mês de conscientização sobre os cuidados no trânsito, reunindo os vereadores da comissão de urbanismo, Zé Márcio - Garotinho (PV - presidente), Pardal (PSL), e Laiz Perrut (PT), além dos parlamentares Juraci Scheffer (PT - presidente da CMJF), André Luiz (REPUBLICANOS), Cida Oliveira (PT), Kátia Franco Protetora (PSC), Marlon Siqueira (PP), Maurício Delgado (DEM), Tiago Bonecão (CIDADANIA) e Vagner de Oliveira (PSB).
“A pandemia veio potencializar aquilo que já sabíamos: o sistema não suporta mais a omissão dos responsáveis pelo transporte público, inclusive aqui em Juiz de Fora”, enfatizou Daibert.
Para o engenheiro, a pandemia do Covid-19 está apresentando novos desafios, inclusive para o município, causada pelas mudanças sanitárias impostas para evitar a aglomeração, criando-se novos hábitos e afetando a nossa atual realidade. Entre elas, está a diminuição do uso do transporte coletivo, sustentado apenas com os valores fornecidos pelos usuários, deixando o sistema defasado, já que muitos estão trabalhando e estudando dentro de casa.
Os vereadores puderam debater o tema e o presidente da comissão, vereador Zé Márcio, usou a palavra para levantar a questão sobre a sustentabilidade deste serviço, diante da possibilidade do aumento do preço da passagem. “Como podemos pensar numa tarifa que caiba no bolso da população, que permita o sistema funcionar e que onere o menos possível o Poder Público?”
Em resposta, José Ricardo disse que para pensar em uma mobilidade urbana sustentável é preciso, primeiramente, pensar em novos pilares e em novas fontes de financiamento, criando um planejamento sistêmico de mobilidade. Deste modo, segundo José Ricardo, para sustentar este tipo de serviço é preciso que o novo modelo econômico conte com o apoio de financiamentos externos, como subsidios do poder público, além do sustento com a tarifa cobrada no transporte, medida já adotada em outras cidades de países desenvolvidos e que também já está sendo aderido no Brasil, como na cidade de São Paulo, Brasília e Curitiba. “Precisamos entender que a questão do transporte público, ela é universal. O ônibus está ali na Rio Branco para quem quiser ir lá e acessar. Agora, quem banca este serviço acessível a todos é só a parcela mais carente da população que usa e que fica refém do transporte”, disse.
Ele ainda comenta que a possibilidade de subsídio público, em parte da tarifa é um caminho já conhecido. E que o financiamento do subsidiário pode ser diluído em diversas formas na arrecadação.
Dando continuidade à discussão, o vereador Tiago Bonecão alertou que “se a gente não tiver coragem para debater, nós vamos chegar à falência do nosso sistema”, destacou.
O intuito da palestra era criar um espaço de debate, juntamente com os presentes, como forma de instigá-los a pensar sobre o futuro da mobilidade urbana de Juiz de Fora, destacando a relevância do tema que deve ser debatido com maior frequência, assim como é feito sobre os assuntos que envolvem a educação e saúde.
Laiz Perrut também argumentou que “uma cidade com boa mobilidade é uma cidade em que as pessoas que vivem nela também têm uma boa qualidade de vida. Por isso precisamos discutir, estudar e chegar em um denominador comum”.Já o vereador Maurício Delgado, destacou a importância da bicicleta e que em países desenvolvidos elas estão presentes tanto quanto os carros e questionou, ainda, sobre a criação de um estacionamento para o modal no centro, garantindo segurança para os usuários.
O evento completo está disponível no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=obl3a0rpHHE
