A oitava fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta terça-feira (26) pela Polícia Federal (PF), investiga o ex-governador Cláudio Castro por seu suposto envolvimento na aplicação irregular de R$ 3,6 bilhões da RioPrevidência. Este montante, proveniente da previdência dos servidores fluminenses, foi direcionado para Letras de Crédito e fundos do Banco Master, levantando suspeitas de irregularidades.
Os recursos em questão têm sua origem na RioPrevidência, uma autarquia encarregada da gestão do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). Esta entidade é responsável por garantir o pagamento de aposentadorias e benefícios a mais de 235 mil servidores, tanto ativos quanto inativos, do estado do Rio de Janeiro.
Conforme a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que concedeu a autorização para o mandado de busca e apreensão na residência de Cláudio Castro, os elementos coletados pela PF até o momento sugerem que o ex-governador desempenhou um papel politicamente significativo. Ele teria sido fundamental para a concretização dos aportes da RioPrevidência junto ao Banco Master.
Em contrapartida a essa atuação, a investigação aponta para a existência de pagamentos de vantagens indevidas a indivíduos envolvidos nos investimentos. Tais aplicações teriam sido realizadas pela RioPrevidência em desacordo com a política conservadora de gestão de recursos financeiros que rege o RPPS.
Para acompanhar as últimas notícias, siga o canal da Agência Brasil no WhatsApp.
Nesta quinta-feira, um total de dez mandados de busca e apreensão estão sendo executados pelas autoridades. As diligências ocorrem em diferentes localidades, abrangendo o Rio de Janeiro e o Distrito Federal.
Além de Cláudio Castro, outros nomes importantes figuram como alvos da Operação Compliance Zero. Entre eles estão Ricardo Siqueira Rodrigues, identificado como lobista e operador do esquema, e Deivis Marcon Antunes, ex-presidente da RioPrevidência, que já havia sido detido em uma fase anterior das investigações.
O ponto de partida para as atuais diligências foram mensagens extraídas de um dos aparelhos celulares pertencentes a Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Para mais detalhes sobre o tema, clique aqui e leia a reportagem completa na Agência Brasil.
Adicionalmente, a Polícia Federal conduziu um minucioso trabalho de sincronização. Esse estudo comparou encontros e contatos estabelecidos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-governador Cláudio Castro com os períodos em que os aportes da RioPrevidência foram efetuados.
O ministro André Mendonça destacou em sua decisão que “a relação de Daniel Bueno Vorcaro e Cláudio Bomfim de Castro e Silva trazida aos autos ultrapassou o mero contato institucional”. Segundo ele, foram encontrados “indícios concretos da ocorrência de tratativas ilícitas que viabilizaram a captação de um total de R$ 3.691.000.000 em investimentos no Banco Master”, considerando os valores aplicados em fundos e Letras Financeiras.
Um relatório parcial da PF, citado pelo ministro Mendonça, detalha que entre outubro de 2023 e julho de 2024, a RioPrevidência efetuou aportes significativos. Foram R$ 970 milhões investidos em Letras Financeiras do Banco Master.
Em um período subsequente, de dezembro de 2024 a outubro de 2025, e em face de obstáculos regulatórios, novos aportes foram concretizados. Estes investimentos, totalizando R$ 2,01 bilhões, foram direcionados a fundos estruturados pelo mesmo grupo financeiro.
O ministro André Mendonça ressaltou que todas essas operações ocorreram em um “contexto de crescente dificuldade do banco”, indicando um cenário financeiro delicado para a instituição.
Comando da RioPrevidência sob escrutínio
As investigações também apontam que a articulação do esquema teve início com a alteração do comando da RioPrevidência. Cláudio Castro teria sido responsável pela nomeação de indivíduos alinhados aos interesses do suposto esquema criminoso.
O Banco Master foi liquidado em novembro do ano anterior pelo Banco Central, devido à ausência de liquidez e à suspeita de fraudes financeiras recorrentes. Desde a eclosão deste escândalo, múltiplas linhas de investigação foram instauradas para examinar as conexões de Daniel Vorcaro com agentes públicos.
A Agência Brasil informa que está buscando contato com a defesa dos envolvidos e mantém o espaço aberto para qualquer posicionamento que desejem apresentar.

Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se