Um dia após o envio ao Congresso Nacional da proposta legislativa que visa limitar a jornada de trabalho a no máximo 40 horas semanais e extinguir a escala 6x1, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, 68 reivindicações de representantes de centrais sindicais. Essas entidades participaram, nesta quarta-feira (15), em Brasília, da “marcha da classe trabalhadora” na Esplanada dos Ministérios.
Durante o encontro, o presidente enfatizou aos dirigentes sindicais a importância da mobilização e da pressão dos trabalhadores para assegurar a aprovação da redução da jornada de trabalho enviada ao Legislativo.
“Vocês não podem abrir mão da sua responsabilidade fundamental de lutar pelos trabalhadores que representam”, declarou. Lula ressaltou que o período atual é desafiador, afirmando: “Não existe tempo fácil. Sempre há muito sacrifício. E cada vez que enviamos algo para aprovação no Congresso, é preciso que vocês ajudem.”
Burnout
Em seu discurso, Lula prestou homenagem ao ativista e ex-balconista Rick Azevedo, idealizador do movimento Vida Além do Trabalho, que inspirou o projeto de redução de jornada. O presidente chegou a sugerir que, caso a lei seja sancionada, ela leve o nome do ativista.
Azevedo relatou ao presidente ter sofrido de burnout e depressão devido ao excesso de trabalho e à falta de descanso. “Em 13 de setembro de 2023, eu disse: ‘chega’. Então, postei um vídeo no TikTok revoltado e denunciando esse modelo de trabalho de seis dias consecutivos com apenas um dia de folga. O vídeo viralizou”, relembrou.
Críticas a retrocessos
Lula aproveitou a reunião com as centrais sindicais para criticar as aprovações das reformas Trabalhista (2017) e da Previdência (2019), além de outras medidas que, em sua opinião, representam um retrocesso para a classe trabalhadora.
Segundo o presidente, a luta dos trabalhadores se torna mais árdua para as centrais sindicais neste momento. Ele também alertou para a existência de grupos opositores no Brasil que defendem propostas semelhantes à reforma implementada na Argentina, que permitiu o aumento da jornada diária de trabalho para 12 horas.
Momento de transformação
Os representantes das centrais sindicais manifestaram satisfação com a decisão do governo de enviar o projeto que visa acabar com a escala 6x1. Adilson Araújo, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), destacou a possibilidade de geração de mais empregos com a redução da jornada. “Essa medida cria 4 milhões de postos de trabalho”, afirmou.
Para o líder da CTB, o Brasil possui potencial para se reerguer com uma nova indústria focada em sustentabilidade socioambiental e em processos de desregulamentação. Ele alertou para o risco elevado da pejotização, prática em que um profissional é contratado como pessoa jurídica, mas desempenha funções típicas de um empregado regido pela CLT.
Miguel Torres, presidente da Força Sindical, também abordou a necessidade de preservar direitos e reduzir a jornada de trabalho. Ele celebrou que a marcha reuniu mais de 20 mil trabalhadores e declarou que o projeto está pronto para entrar em vigor.
“Isso significa mais tempo para a família, para a saúde, para o lazer, para estudar e para o indivíduo.”
Transformações
Clemente Ganz, coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, explicou que o conjunto de 68 reivindicações entregues ao presidente abrange as demandas para os próximos cinco anos. Ele ressaltou que as categorias precisam estar atentas às profundas transformações no mundo do trabalho, impulsionadas por mudanças tecnológicas que afetam a todos.
“Mulheres e jovens serão os mais afetados pela inteligência artificial e pela inovação tecnológica, de acordo com os estudos mais recentes da OIT. Temos também as mudanças climáticas e a emergência ambiental com impacto sobre o mundo do trabalho”, declarou.
Ricardo Patah, presidente da União Geral dos Trabalhadores, mencionou a importância de proteger trabalhadores de aplicativos e entregadores. “É fundamental cuidar da vida, da saúde e da juventude, que representa o futuro do nosso país”, enfatizou.
Sônia Zerino, presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), também presente no evento, afirmou que a pauta da classe trabalhadora deve incluir o combate ao feminicídio. “Precisamos combater isso através da conscientização da população pela educação”, concluiu.

RCWTV
Comentários
Para comentar realize o login em sua conta!
Login Cadastre-se