Manter condições adequadas de temperatura, umidade e luminosidade estão entre os cuidados essenciais na manutenção de acervos históricos em museus, bibliotecas e outros espaços culturais. Nesse campo, as embalagens especiais, chamadas de acondicionamento técnico, são um instrumento eficiente para preservar as peças da ação do tempo, de possíveis acidentes e de ameaças do meio, como pragas, insolação e mofo, entre outros. A confecção dessas embalagens, com técnicas e materiais específicos, se tornou uma expertise da equipe técnica do Museu Mariano Procópio, que é mantido pela Prefeitura de Juiz de Fora.
O conservador e restaurador do equipamento cultural, Aloysio de Paula Gerheim, explica que “o acondicionamento técnico gera proteção física, estabilidade mecânica, protege dos poluentes, impede que algum tipo de líquido caia acidentalmente sobre a acervo, além de criar um microclima, favorecendo uma melhor proteção contra variações de umidade e temperatura. Tudo isso age de maneira a retardar os danos causados pelo envelhecimento dos objetos.”
As embalagens são utilizadas em diferentes peças, como livros, fotografias, coleções minerais e armarias, entre outras, e os materiais empregados na confecção seguem critérios internacionais para a área de conservação e restauração. “Os papéis possuem características específicas para garantir a qualidade arquivística em museus, sendo neutros ou alcalinos. Também devem ser estáveis para não promover interação com os materiais constituintes das obras, de modo a não alterar as características originais dos objetos museológicos.”
Gerheim conta que a prática de conservação do acervo com o uso de embalagens é um legado deixado por profissionais que atuaram no Mariano Procópio ao longo dos anos. “No meu caso, aprendi muito em um estágio feito no museu, com o conservador/restaurador Aloísio Arnaldo Nunes de Castro. Posteriormente fiz cursos na área para aprimoramento.” Aloísio Arnaldo influenciou outros profissionais atuantes no Museu Mariano Procópio, muitos dos quais também buscaram cursos específicos na área.
Gerheim conta ainda que, no caso dos acervos tridimensionais, como minerais, têxteis, armaria e numismática, a produção de embalagens foi legado da museóloga Maria Angela Camargo Cavalcante, através de projetos desenvolvidos na instituição e que são continuados pelo responsável pela reserva Eduardo de Paula Machado.
Prestes a completar um século, o Mariano Procópio foi fundado por Alfredo Ferreira Lage em 23 de junho de 1921, sendo o acervo, o parque doado à municipalidade em 1936. É o primeiro museu de Minas Gerais e um dos mais importantes do Brasil. Seu acervo soma mais de 55 mil peças e o ecletismo é sua principal característica.
Confira imagens de embalagens de acondicionamento técnico no Instagram @museumarianoprocopio.
FONTE/CRÉDITOS: Assessoria PJF