Juiz de Fora é um dos poucos municípios brasileiros que possuem uma data específica para festejar a capoeira: 30 de setembro. Instituído por meio da Lei 12.144/ 2010, o Dia Municipal da Capoeira será comemorado com uma série de ações, que incluem o lançamento do documentário “Ginga – passado e presente da capoeira em Juiz de Fora”, realizado por meio de parceria entre a Câmara Municipal e a Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa). A produção aborda as raízes e a trajetória da capoeira na cidade e será exibida nesta quinta-feira, 30, às 15h30, na sessão solene do Legislativo, com transmissão simultânea pela JF TV Câmara, canal 35.1. O conteúdo é livre para todos os públicos.
Carine Muguet, historiadora do Departamento de Memória e Patrimônio Cultural (DMPAC) da Funalfa, informa que, no documentário, são entrevistados dois capoeiristas, considerados referência em Juiz de Fora. “Mestre Jô e Mestre Reinaldo estão entre os mais antigos adeptos da prática na cidade e foram escolhidos pela Comissão dos Mestres de Capoeira. A partir das memórias deles, associadas à pesquisa produzida pelo DMPAC, foi possível reconstituir um pouco da trajetória da capoeira, considerando que é uma tradição no município,” afirma.
Mestre Paulo Elias faz coro e acrescenta que “Juiz de Fora é praticamente o berço da capoeira em Minas. Foi a partir daqui, que ela se expandiu para Belo Horizonte”. Ele reforça a importância de ter apoio do Poder Público para o reconhecimento, a valorização e a difusão da capoeira, no sentido de promover seu fortalecimento. O mestre explica que a escolha do dia 30 de setembro para homenagear a capoeira é uma referência à data de fundação da Capoeira do Bonfim, em 1972, sendo esse o mais antigo grupo local sem interrupção das atividades. “É um grupo muito importante na formação de várias gerações de capoeiristas na cidade, tendo reconhecimento nacional e, até mesmo, fora do país”.
Paulo Elias é membro da Comissão dos Mestres de Capoeira, que surgiu como desdobramento de uma das reuniões do projeto “Dedo de Prosa”, desenvolvido pela Funalfa. A partir dos encontros com essa comissão, a fundação começou a buscar ações que pudessem ser realizadas mesmo durante a pandemia. Também integrante da Comissão, a professora Fran Vidal afirma que “o reconhecimento da capoeira valoriza a própria formação da identidade brasileira”.
Unindo dança, música e cultura popular, a capoeira é um símbolo de resistência, preserva costumes e saberes dos povos escravizados, que foram responsáveis por sua introdução no Brasil. Conforme estudiosos, há registros de rodas de capoeira no país desde o século 16. Historicamente, a prática foi marginalizada, chegando até mesmo a ser considerada contravenção penal nos anos que sucederam à abolição oficial da escravatura. Mesmo assim, a tradição se manteve e foi perpetuada de geração a geração, embora ainda seja alvo de preconceito.
A “Roda de Capoeira” e o “Ofício de Mestre” foram registrados nos livros “das Formas de Expressão” e “dos Saberes” como Patrimônios Culturais do Brasil. Desde 2014, a capoeira é reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.
