A trajetória da Praça CEU (Centro de Artes e Esportes Coronel Adelmir Romualdo de Oliveira), um dos equipamentos urbanos mais representativos da Zona Norte de Juiz de Fora, foi contada no documentário "Segunda Casa". O média-metragem de 54 minutos será lançado nesta quinta-feira, 12, Dia Nacional das Artes, às 19h, pelo YouTube. A produção é assinada por Jeann Cavallari, 19 anos, aluno das oficinas culturais do Programa “Gente em Primeiro Lugar”, com supervisão do articulador cultural de Teatro, Lucas Nunes, e do coordenador-geral da Praça CEU, André Noronha.
No filme, atendidos, colaboradores e pessoas da comunidade falam de suas experiências e da importância da praça, mantida pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF)/Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), com gestão da Associação Cultural Arte e Vida (Acav). Conforme André Noronha, o título do documentário resume a relação que o espaço mantém com a comunidade. Considerado um modelo bem-sucedido de política pública, o equipamento rapidamente se consolidou como referência de cultura e cidadania na região. “Além de participarem das oficinas gratuitas de artes e esportes, os moradores da região utilizam a praça para lazer, prática de esporte, estudos, atendimentos sociais ou simplesmente como ponto de encontro. A Praça CEU, de fato, funciona como uma segunda casa para eles.”
André explica que a proposta inicial era lançar o documentário como parte das comemorações pelos seis anos do equipamento, completados em março passado. No entanto, a produção esbarrou em dificuldades impostas pelo protocolo de contenção da Covid-19. “Com respeito às regras de distanciamento social, uso de máscara e de álcool em gel, conseguimos encerrar o trabalho e escolhemos lançar o filme no Dia Nacional das Artes, que é uma data bastante simbólica.”
O coordenador-geral destaca que um dos maiores orgulhos é que o documentário foi produzido por um participante das oficinas culturais do Programa “Gente em Primeiro Lugar”, também mantido pela PJF. Jeann ingressou no “Gente” em 2016, e já passou pelas oficinas de teatro, dança contemporânea, danças urbanas, percussão e violino. Em 2019, participou do projeto “Câmera na Mão, Skate no Pé”, desenvolvido pela Acav, em parceria com o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. “Uma das vertentes deste projeto era capacitar jovens para atuação na área de produção audiovisual. Essa formação possibilitou que o Jeann fosse convidado para a montagem, que é o seu primeiro filme.
Jeann conta que ficou surpreso com o convite para estar à frente da produção. “Fiquei feliz por confiarem em mim, mas também com medo, porque teria que ser um trabalho à altura do que a praça representa hoje para a sociedade. Foi uma luta para tomar coragem e fazer acontecer.” Ele revela que se emocionava cada dia que saía de casa, no Dom Bosco, para chegar até a praça e fazer um encontro, conhecer alguém da comunidade. “Foi um aprendizado imenso, não tem como não ser, e me ajudou muito a entender sobre o que é mais importante quando se pensa ou executa uma política pública. O mais importante são as pessoas, não tem como fugir disso e qualquer iniciativa social que funcione com uma lógica diferente, na minha opinião, está errada.”
