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Juiz de Fora

‘Cidade Oculta’ resgata fachadas demolidas de Juiz de Fora

Exposição das maquetes de Felipe Macedo chega ao Jardim Norte

Geraldo Gomes
Por Geraldo Gomes
‘Cidade Oculta’ resgata fachadas demolidas de Juiz de Fora
Funalfa
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A cidade se revela. Este é o mote do arquiteto maquetista Felipe Macedo, apaixonado pelo patrimônio histórico, que assina a exposição ‘Cidade Oculta’, disponível, no Jardim Norte, para os apreciadores de arte, a partir de 04 de novembro. A obra reconstrói, através de maquetes, dez fachadas e edificações - de residências, indústrias, comércios, templos e equipamentos públicos - já demolidas de Juiz de Fora, que foram perdidas nas camadas históricas urbanas, e nos remete à importância de lutar pela preservação do acervo arquitetônico e das memórias sociais.
 
Com um grande potencial cultural, ‘Cidade Oculta’ é uma exposição de educação patrimonial do resgate da nossa arquitetura e promete recuperar percursos sociais, histórias do desenvolvimento da cidade e muita memória afetiva, através de uma seleção em miniaturas.
 
Representando inúmeras conexões ou agrupamentos, o projeto visa despertar o interesse na investigação e nas descobertas da história de nossa cidade, reforçando a necessidade contínua do engajamento em educação patrimonial. “Cuidamos para não criar falsos históricos, portanto, algumas seções foram representadas com pinturas pretas. Todo o processo, incluindo a restauração da cor original do edifício, foi fundamentado em registros iconográficos e referências estilísticas com o auxílio da tecnologia de inteligência artificial”, explica Felipe.
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O processo de pesquisa contemplou, também, memórias e relatos de pessoas envolvidas com os edifícios escolhidos. Aquilo que não foi possível identificar com nitidez, seja texturas, padrões ou alguns ornamentos, será representado com abstração.
 
A mostra financiada pela Lei de Incentivo à Cultura Murilo Mendes, organizada pela Funalfa e mantida pela Prefeitura de Juiz de Fora estará disponível para visitação no shopping Jardim Norte, durante o horário de funcionamento.

Confira as dez fachadas reproduzidas pelo arquiteto maquetista na exposição ‘Cidade Oculta’:

Residência Ekmam

Se estendendo do Largo Riachuelo até a Chácara do Barão De Aquino, a Avenida Rio Branco abrigava as Repartições Municipais, a Igreja Matriz (Catedral Metropolitana) e grande parte do comércio local além de casarões, palacetes e chalés onde residiam as famílias mais influentes do contexto político e econômico da cidade na época. Nesse cenário residencial, próximo ao Largo Riachuelo existia a edificação da família Ekmam onde residiu a primeira Miss Juiz de Fora, a Srta. Maria Luiza Paletta Ekmam.
 
A edificação era eclética com fortes influências da arquitetura neocolonial hispano-americano. Em 17 de julho de 1955, sobre a inauguração do Cine São Luiz, Maria Ekmam é citada no Diário Mercantil como uma das ”distintas damas” patrocinadoras do evento. Estima-se que a construção tenha sido demolida, em meados da década de 80, para a construção do Shopping Rio Branco.


Chalé da Rio Branco


“É tão larga como os boulevards de Paris, e mais extensa que qualquer um deles”. Assim foi descrita, pelo escritor Arthur Azevedo (1889), a antiga Rua Direita posteriormente denominada Avenida Barão do Rio Branco. A principal avenida da cidade se estendia do Largo do Riachuelo até a Chácara do Barão de Aquino. Em seu percurso concentravam-se as Repartições Municipais, a Igreja Matriz (Catedral Metropolitana) e grande parte do comércio local, além de casarões, palacetes e chalés, onde residiam as famílias mais influentes do cenário político e econômico da cidade na época.
 
Muitas dessas construções, pertencentes a variados períodos históricos, compunham a identidade visual da avenida e foram demolidas devido à expansão imobiliária e a verticalização do centro urbano. Dentre ícones da memória popular, que se perde neste contexto de modernização do Centro, destaca-se o Chalé da Rio Branco, com características arquitetônicas típicas do estilo normando. A residência foi adquirida por meio de uma doação convencionada, em 1946. Estima-se que tenha sido demolida no início dos anos 2000.

Colégio Mineiro

A edificação Eclética construída ao lado do Parque Halfeld para abrigar as instalações da Companhia Mineira de Eletricidade também abrigou, ainda no início do século XX, o Colégio Mineiro. Em 1908, a escola chegou a realizar mais de 100 matrículas. Possuindo os regimes de externato e internato, o colégio era destinado, inicialmente, ao público feminino, já numa foto do grupo de alunos de 1918, que exibe uma turma mista. Na década de 30, o terreno que constituía o jardim do Colégio se transformou em um imponente posto de combustíveis no estilo Art Déco.
 
O posto funcionou até meados dos anos 60. Tempos depois, devido a uma crise financeira, o colégio acabou sendo anexado ao Granbery. Estima-se que a edificação do colégio foi demolida na década de 40. O edifício, que hoje abriga o Fórum Benjamim Colucci, só foi construído em 1964.

Cine Popular

Inaugurado em 1927, por João Carriço, o Cine Theatro Popular trazia para a cidade a novidade de atender a população, em sua maioria, os operários. Antes da Inauguração, Carriço realizava projeções em ruas públicas e, aos poucos, foi transformando o negócio da família - uma empresa funerária - no que viria a ser o Cine Theatro Popular. Há relatos de que as primeiras projeções dentro do edifício eram tão improvisadas, que a plateia sentava-se em tampos de caixões. Naquela época, a cidade tinha outros 4 cinemas que atendiam à classe nobre: Polytheama, Cinema Ideal, Chine Theatro Variedades e Cine Theatro Paz. Situado na Rua 11 de Novembro nº890, hoje, Avenida Getúlio Vargas, o Cine Theatro Popular contava com 500 lugares e uma programação diversa à preço acessível, por vezes beneficente e educativa.
 
O edifício, também, abrigou a oficina de produção dos famosos filmes e jornais da cidade, responsáveis por registrar diversos eventos. O Popular só encerra as suas atividades, em 1966, após uma crise política e financeira, que culminou no boicote de distribuidoras e a depredação do próprio público. Atualmente, o edifício que funciona, parcialmente, como estacionamento, preserva alguns vestígios da arquitetura do cinema. Além da volumetria preservada, é possível encontrar, em meio às placas de publicidade, ferragens que sustentaram diversos filmes em cartaz que marcaram a história de muitos juiz-foranos.

1ª Estação Central

A primeira estação ferroviária da Estrada de Ferro D. Pedro II em Juiz de Fora foi a Estação De Rio Novo, posteriormente, denominada Estação Mariano Procópio. Sua localização, distante do centro urbano, acabou provocando uma série de reivindicações por parte da elite local. Como consequência dessas reivindicações, foi construída a Primeira Estação Central da cidade. Inaugurado em 1877, o edifício de estilo Eclético possuía um pavilhão central e alas laterais.
 
Embora sua localização fosse estratégica, a construção apresentava problemas de funcionamento, como era o caso das cargas, que ainda desembarcavam em um barracão improvisado no Largo Do Riachuelo. Tais dificuldades culminaram na construção da Segunda Estação Central, que, até hoje, se mantém como uma das edificações mais emblemáticas do centro de Juiz de Fora. Por um período, as duas estações funcionaram juntas. Estima-se que a Primeira Estação Central tenha sido demolida em meados do século XX.

Sede da Companhia Pantaleone Arcuri

A partir do final do século XIX, o desenvolvimento econômico e urbano de Juiz de Fora contou com a forte participação dos imigrantes. Na área da construção civil, destacavam-se os imigrantes italianos. O principal construtor civil da cidade, na época, o italiano Pantaleone Arcuri, mudou-se para Juiz de Fora após trabalhar como pedreiro no interior dos estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em 1895, junto com seu cunhado Pedro Timponi, fundou a Companhia Pantaleone Arcuri & Timponi. Tendo em vista que muitos dos funcionários da companhia eram italianos, a empresa também servia para estes trabalhadores como a "porta de entrada" na cidade. Em abril deste ano, foi aprovada a solicitação da firma para a construção de um complexo habitacional e industrial na rua Espírito Santo. A construção servia de acesso às oficinas no fundo do terreno. Em seu interior, funcionavam lojas de ferragens, telhas, artigos sanitários, tintas, além de possuir áreas de depósito e armazéns.
 
Eclética, com fortes influências da arquitetura clássico-renascentista italiana, possuía  a forma de um pórtico. No topo do frontão existia uma estátua emblemática. Em 1898 José Spinelli, cunhado de Pantaleone, tornou-se sócio da companhia que passou a ser denominada como Pantaleone Arcuri, Timponi & Cia. Contudo, em 1900 Pedro Timponi desfez a sociedade e o nome da firma passou para Pantaleone Arcuri & Spinelli. O antigo complexo foi um dos principais cartões postais da companhia, tendo sido exibido em uma série de exposições internacionais na época. Estima-se que a edificação principal tenha sido demolida antes da década de 30.

Mechanica Mineira

Ao final do século XIX, muitas instalações industriais passaram a compor o cenário urbano de Juiz de Fora. Dentre elas, neste período, a Mechanica Mineira foi uma das mais importantes. Fundada pelo engenheiro Belisário Penna em 1889, a construção possuía maquinários para carpintaria, modelagem, fundição de ferro e bronze, além de ferraria para montagem de máquinas e veículos de transporte. Em 1901, a firma possuía um potente motor elétrico construído no próprio local.
 
Eclética, com elementos característicos da arquitetura industrial da cidade, a edificação chegou a ser adquirida, tempos depois, pela Companhia Industrial e pela Construtora Pantaleone Arcuri & Spinelli. No local, funcionaria a oficina mecânica, ferraria e fundição da fábrica. No entanto, logo depois, a edificação foi novamente vendida. Ao longo da história, a construção também serviu de sede para os artistas do Núcleo Antônio Parreiras. O edifício foi demolido para a construção do Terminal Rodoviário Régis Bittencourt, inaugurado em maio de 1964.

Dispensário Eduardo de Menezes

Em 1908, foi inaugurado o Dispensário Eduardo de Menezes fundado pela Liga Mineira Contra a Tuberculose. A construção tinha como finalidade prestar assistência direcionada às pessoas acometidas pela doença, que assolava em grande escala a população na época. O médico Eduardo de Menezes realizou participações em diversas instituições culturais de Juiz de fora, além de exercer cargos como diretor do Dispensário e do Instituto Pasteur, criado no mesmo ano.
 
Eclética com influências Art Nouveau, estima-se que a edificação tenha sido demolida em meados da década de 60, logo após a construção do Palácio da Saúde. Transferido após a demolição do Dispensário, na área externa do Museu Mariano Procópio, encontra-se um painel em concreto com nomes de participantes da Liga.

Biblioteca Municipal
 
O espaço do Parque Halfeld, considerado por muitos o coração da cidade de Juiz de Fora, foi, inicialmente, denominado como Largo Municipal. No local, eram exibidos circos, touradas e cavalhadas. Em 1890, passou por um processo de jardinagem, elaborado por Miguel Antônio Lallemant e inspirado nos jardins ingleses. Ao final do século XIX, pouco tempo depois de ter se tornado um logradouro público, encontrava-se em total situação de abandono. Em 1901, o Coronel Francisco Mariano Halfeld planejou uma nova intervenção no local. O projeto e as obras ficaram sob responsabilidade da Pantaleone Arcuri & Spinelli e, conforme o contrato, uma das ações da firma seria a realização de um pavilhão central.
 
A construção do edifício, feita pela diretoria de Obras Municipais, inicialmente, tinha como objetivo funcionar como um espaço recreativo com salões para jogos, camarins, tiro ao alvo entre outras dependências. O edifício, eclético com influências neomouriscas, descrito no Diário Mercantil de 1990 como “pavilhão indiano", abrigou a Biblioteca Municipal. Posteriormente, na década de 30, também recebeu a Rádio Sociedade de Juiz de Fora com o prefixo PRB-3. Estima-se que a edificação tenha sido demolida na década de 60.

Capela da Glória
 
Colonos alemães trazidos pela Companhia União e Indústria fundaram a primeira capela do Curato de Nossa Senhora da Glória na, hoje denominada, Rua Mariano Procópio. Em 1878, começou a ser construída uma nova capela de Nossa Senhora da Glória, devido às doações de terrenos feitos pela Companhia para a realização do Culto Católico e o Culto Luterano. O novo endereço da capela em estilo eclético, inaugurada em 1879, ficava no Morro da Gratidão, hoje Morro da Glória.
 
Através de pesquisas iconográficas, foi possível perceber, em fotos mais antigas da capela, que a edificação possuía uma torre central. Acredita-se que a capela tenha passado por uma intervenção, neste período, e a torre acabou sendo demolida. Três décadas depois, em 1916, devido ao aumento no número de fiéis, foi decidida a construção de uma nova igreja atrás da capela. O projeto ficaria sob responsabilidade do arquiteto Werenfrido Vogels. Em 1919, foi construída a escadaria principal.
 
A construção da nova igreja contou com a coleta de donativos, incluindo um jogo beneficente entre os times Tupi e o Industrial Mineira. Neste período, a planta da nova edificação ficou exposta no interior da capela. Quando a construção da igreja estava quase finalizada, em 1923, um incêndio destruiu a capela. Foi soado um alarme e muitas pessoas auxiliaram o corpo de bombeiros na tentativa de apagar o fogo. Do incêndio, salvaram-se apenas algumas imagens, e suas causas foram inconclusivas.
FONTE/CRÉDITOS: Assessoria de imprensa
Geraldo Gomes

Publicado por:

Geraldo Gomes

Fundador, diretor e presidente do Portal de notícias RCWTV. Trabalhou na TVE, TV pública de Juiz de Fora, como diretor de imagem, e depois empreendeu no ramo de eventos evangélicos com a empresa Gospel Videos. Mais tarde fundou a RCWTV, inicialmente...

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