Dando continuidade à programação comemorativa do Centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, dois projetos serão apresentados nesta terça-feira, 22. As ações foram aprovadas no Edital Pau-Brasil, lançado pela Fundação Cultural Alfredo Ferreira Lage (Funalfa), como parte do Programa Cultural Murilo Mendes, mantido pela Prefeitura de Juiz de Fora (PJF). O objetivo é promover uma releitura dos conceitos e das propostas lançadas, há cem anos, por um grupo de artistas e intelectuais brasileiros.
O movimento, iniciado em São Paulo, repercutiu em todo o país e desencadeou uma ruptura entre a arte produzida no Brasil e o academicismo europeu. A partir das discussões da Semana de Arte Moderna, surgiu uma estética genuinamente brasileira, de perfil inovador e com valorização das características nacionais. A programação completa da releitura da Semana de Arte Moderna, a partir do Edital Pau-Brasil, pode ser conferida nas redes sociais da Funalfa.
* “Transfusão Poética” | Proponente: Patrícia Almeida
Dia 22 | Terça | 10h | Galeria Ali Halfeld 22 (Farmácia Philadelphia)
O projeto consiste em uma experimentação de linguagens a partir do poema “Retalhos”. Desta temática, surgem um videopoema, traduzido na língua indígena Kheol Karipuna (povos originários do Amapá); um livro, confeccionado com páginas de tecido estampadas com o poema em tinta e transcrito em Braille, além de uma versão audiodescrita do videopoema. Com estas transposições, a artista busca construir e desconstruir o artesanato, dialogando com a poesia e com a composição gráfica, no mesmo espírito inovador e libertário dos artistas da Semana de Arte Moderna de 1922.
“Apenas Scheilla” | Proponente: Raomi Zarec
Dia 22 | Terça | 19h | Teatro Paschoal Carlos Magno
Lançamento da obra de ficção “Apenas Scheilla”, narrando a vida de uma indígena mestiça, que vai estudar na França, mas retorna ao Brasil onde vive muitas histórias. A tribo dos Guaranis Kaiowa, nação próspera à época, ofereceu à brilhante protagonista do livro determinação, ética e amor à tradição. Ela usa os conhecimentos adquiridos com os indígenas e os recursos acadêmicos, com sentimento religioso alicerçado na racionalidade. A obra valoriza a cultura indígena e o conhecimento perpetuado de forma oral. Um trabalho que engrandece a miscigenação brasileira, sem ufanismo.
