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Política

Câmara dos Deputados pode votar quebra de patente de medicamentos para emagrecimento

Proposta visa alterar a lei de propriedade industrial para permitir licença compulsória em situações de saúde pública

Redação RCWTV
Por Redação RCWTV
Câmara dos Deputados pode votar quebra de patente de medicamentos para emagrecimento
Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
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O Plenário da Câmara dos Deputados poderá analisar o Projeto de Lei 68/26, que busca classificar o Mounjaro e o Zepbound – marcas das conhecidas canetas emagrecedoras, formuladas com a substância tirzepatida – como de interesse público.

Essa declaração de interesse público é um passo fundamental para viabilizar a licença compulsória, ou quebra de patente, desses produtos.

Ambos os fármacos são empregados no tratamento da obesidade, de condições crônicas associadas ao sobrepeso e do diabetes mellitus tipo 2.

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O projeto foi apresentado este ano pelo deputado Mário Heringer (PDT-MG) e obteve regime de urgência, o que permite sua votação direta no Plenário, sem a necessidade de passar pelas comissões permanentes da Câmara.

Para que a medida se torne lei, é indispensável que seja aprovada tanto pela Câmara quanto pelo Senado.

Entenda o processo de tramitação de projetos de lei

O parlamentar argumenta que esses medicamentos têm o potencial de prevenir casos graves de doenças com significativo impacto na saúde pública, mas seu custo é inacessível para a maior parte da população. Uma única caneta de Mounjaro, por exemplo, pode custar entre R$ 1.400 e R$ 3 mil, dependendo da dosagem.

Propriedade industrial

A proposta visa modificar a Lei 9.279/96, que rege a propriedade industrial, permitindo a quebra de patentes em cenários de emergência ou de interesse público.

A partir da declaração de interesse público, o governo fica autorizado a permitir que outras empresas fabriquem o produto, mediante o pagamento de compensação ao detentor da patente.

Essa compensação ao laboratório, conforme a Lei 9.279/96, corresponde a 1,5% do preço do produto.

Críticas

Embora o regime de urgência para o projeto tenha sido aprovado pela maioria do Plenário, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) expressou críticas.

“Isso trará uma imensa insegurança jurídica para qualquer setor, seja farmacêutico ou qualquer outro que busque investir em inovação no Brasil”, ela criticou. “É inaceitável quebrar patentes sem a realização de estudos apropriados”, acrescentou.

O deputado Mário Heringer, que também é médico, defendeu que seria mais econômico para o governo compensar o laboratório pela quebra da patente do que arcar com os custos do tratamento de enfermidades relacionadas à obesidade.

“Isso representa um benefício para o Brasil e para os mais necessitados. A tirzepatida não deve permanecer limitada ao grupo de pessoas mais abastadas que podem adquirir este medicamento”, afirmou. Heringer ressaltou que, atualmente, a tirzepatida é um “medicamento de elite”. “E é fundamental que promovamos a saúde pública”, concluiu.

A proposta exclui da possibilidade de quebra de patente os produtos formulados com liraglutida, como o Saxenda, cujo período de proteção patentária já caducou.

Igualmente, são excluídos os medicamentos à base de semaglutida, a exemplo do Ozempic, cujas patentes estão programadas para expirar ainda neste ano.

FONTE/CRÉDITOS: Agência Câmara Notícias

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